domingo, 24 de novembro de 2013

Amor & Dor.


Senti seu toque macio em minha cabeça, então, uma voz grossa e, ao mesmo tempo, suave, sussurrou em meu ouvido.
– É difícil, o mundo é um lugar muito difícil. Às vezes parece vazio demais, às vezes cheio demais. Muitas vezes queremos sumir daqui, mas nossa alma sempre clama por mais. – Ele sorriu, de forma agradável para mim. Levantei meus olhos aos poucos – Parece algo meio masoquista, não?Sempre inclinamos para aquilo que nos faz sofrer, mas é assim mesmo, é só se acostumar.
– A dor não é algo que eu possa me acostumar. – Uma lágrima correu solitária pelo meu rosto cansado.
Ele limpou a lágrima com um dos seus dedos, delicadamente...
– A cada lágrima... Ponha um sorriso.
– Como se isso fosse fácil... – Sorri, um pouco indignado com sua proposta.
Ele sorriu em resposta, e para minha surpresa, disse:
– Está vendo? Você sorriu.
Suspirei, sentido-me um verdadeiro idiota. Levantei e fui para a sacada da janela, ele me seguiu com olhar. Passei minha atenção para a lua, cheia e prateada  no céu...
– Sorria, seja por qual for o motivo. Mesmo que não tenha motivos.Dá vivacidade à nossa alma.
– Quem sabe... Quem sabe o que quer a nossa alma... – Virei-me para ele, e olhei-o sério – Estamos aqui, não sabemos para quê. Mostrar os meus dentes e fingir que está tudo bem não vai tirar nenhuma dor.
Andei até o meu amado otimista e abracei-o com força.
– Prefiro me afundar na noite, nos beijos, vícios, do que fingir um sorriso inútil.
– Você não muda, não é mesmo? – Seu riso abafado soou perto da minha orelha, depois, senti sua boca em meu pescoço, deu-me um beijo de leve. – Amo o seu sorriso, mas não é fácil tirar um riso de um ser tão pessimista como você, mas... Acho que você me convenceu.
Ele me deu sua mão e andamos até a sacada da janela, ficamos a observar a lua, abraçados, passando o tempo dividindo nossas dores, vivendo o nosso amor. Pra que valem os sorrisos na dor? O discurso dos otimistas, às vezes é uma farsa. Não há nenhum remédio para dor da alma, a não ser... O Amor. Esse, que faz sofrer, chorar, sorrir e tudo isso é verdadeiro. Esse sim, é um remédio. Acalenta, abraça e conforta. Com sua simplicidade, começa de mansinho e te agarra com força.
Estávamos nos extremos. Ele fogo, eu gelo. Somos opostos, mas ele sempre conseguia aplacar minha tristeza. Tentava me forçar alguns sorrisos, mas eu nunca cedia à sua teimosia. 
Só o seu amor pode sondar e me curar.

O Amor une os opostos. Injeta, assim como tira as dores. É quente, assim como é frio. É a medida das coisas.







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desculpe, querida

desculpe, querida se minhas palavras são incontidas se meu toque te abomina se o meu sorriso e o meu corpo não são o suficient...