quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

#Meu mais singelo hábito



Certa vez, procurei saber onde poderia enfurnar as minhas dores. Sozinho, caminhei pelos mais estranhos caminhos, carregando comigo todas as sombras envoltas em meu pescoço. Foram ilusões, sorrisos, máscaras, trilhas sem fim. Ouvi intrigantes conselhos, experimentei diversos sabores, na maioria deles amargos e repugnantes. Nós sempre tentamos esconder as dores, ou até mesmo fingir que está tudo bem e estampar um asqueroso sorriso no rosto. — As fincas se engessaram, aguentei por muito tempo, mas minha vida empalideceu.
Entristeci na solidão, parado no mundo, encostado no meu quarto, ouvindo os cantos tristes dos pássaros na minha janela, que irradiava as luzes do dia, e o brilho da lua.
Pousados sobre uma pequena mesa de madeira, em um canto quase esquecido do quarto, vi um caderno e uma caneta, inutilizados fazia tempo. Esgueirei-me até ali e fiquei a observá-los durante alguns instantes. Pensei, pensei. Aqueles objetos me despertavam um sentimento nostálgico, deveriam fazer parte de alguma época da minha vida, talvez as primaveras. Resolvi folhear o caderno; meus olhos negros e cansados saltaram assim que vi o seu conteúdo.
Eram rabiscos, palavras e frases soltas. Tudo o que eu sentia antes, as minhas horas felizes, as manchas de lágrimas, meus pequenos amores, meu coração adolescente que o tempo manchara. Havia esquecido do meu passatempo favorito de alguns anos: escrever.
Aquele hábito tão gostoso das madrugadas, do silêncio, dos olhares vagos sob a luz da lua prateada. Era minha liberdade, o meu refúgio, o cantinho que guardava tudo que estava aqui dentro. Soltei um sorriso tímido, e peguei a caneta rapidamente. Suspirei e pousei a ponta dela em um folha em branco, foi preciso alguns minutos para uma folha inteira já estar totalmente rabiscada. 
Passei a noite ali, escrevendo, pondo minhas experiências no papel, foram folhas e mais folhas... E, com o passar dos dias, cadernos e mais cadernos. Ganhei mais vida, mais luz, Eu não podia ter esquecido disso, Mas o que o que a correria da rotina não faz?
Tirando de mim tudo o que me entristecia, Transformei toda a minha dor em poesia.
Então, finalmente encontrei a resposta que eu queria. Onde se afoga as mágoas, dores e tudo o que nos tira a vida? 
Simples, no mar das poesias.

Eu ando falando muito sobre dor... Mas, é algo que está aqui em mim e esse texto resume bem o que eu estou fazendo agora :)


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