sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

#Lágrimas dos inocentes


Vi aquele vento forte e frio bater em seus cabelos curtos e morenos. Senti calafrios. Sua boca se abriu lentamente, como quisesse dizer-me algo, mas você hesitou e se limitou a apenas a acenar e me olhar com extremo vazio em seus olhos — Negros, puros e sem brilho. Vi as lágrimas caírem em seu rosto, tentava adiar o adeus... Segurei suas mãos, com enorme pesar. Queria puxá-lo. Agarrá-lo, fazê-lo meu para o resto da minha vida. Tudo estava contra nós, para eles, nosso amor era proibido. Para nós, o nosso amor era como a vida. Não tínhamos certeza do amanhã; o que é o amanhã?


O trem das nove chegou. Era a hora. Você pegou suas mochilas, olhou para o trem uma duas ou três vezes e desabou em lágrimas. Soluçou, pendeu a cabeça para os lados, negando-se a aceitar aquilo. Mas, depois me abraçou com força e partiu para o seu destino. Éramos vítimas, mas tudo que tínhamos era um ao outroNão esperei o trem partir, fui embora, pois não queria vê-lo se afastar de mim, minha mente estava confusa, girando, só queria me agarrar em algo e deixar as lágrimas me curarem, durante toda a madrugada fria e longa.
Entrei em casa às dez. Olhei o relógio, a sala, a cozinha, o meu quarto. Tudo vazio, escuro, sem o seu jeito bobo, sem o brilho do teu sorriso. Deitei em minha cama e tudo veio em minha mente de repente. Caí em um sono profundo, em meio a pesadelos e inquietação.  Até que... 
A campainha soou e me despertou de mais um pesadelo, depois de vários que tive durante a noite. Era meia-noite,percebi que tinha dormido muito pouco tempo, por isso me sentia tão cansado. Uma tempestade caía lá fora, aquelas tristes chuvas de verão.Fui cambaleante até a porta, não queria atender ninguém, pensava se atenderia ou não. Suspirei e abri a porta lentamente.
Tudo o que eu consegui sentir, foi o seu corpo encharcado desabar sobre o meu. Suas mãos molhadas apertaram o meu corpo e eu ouvi sua voz doce me dizer "Eu não consegui... Eu não posso... Somos maiores que isso...".  Na verdade, nós não podíamos mesmo. Não podíamos nos abater, não podíamos deixar que nos destroçassem. Somos maiores que isso, somos melhores que isso.
Eu estava errado. Estávamos errados. Ninguém poderia topar com o que é divino, inocente e brando.  Nosso sentimento é imaculado, SE TEMOS UM AO OUTRO, devemos nos proteger.
Foi o que senti, ao receber seu abraço e suas palavras naquela madrugada. Mantê-lo em meus braços , defender-nos pelo resto da nossas vidas, mesmo que tivéssemos que enfrentar o mundo.

Sei que eu escrevo bastante sobre dor e Amor... Mas, eu gosto de escrever sobre isso, sinto-me bem.. O interessante é que... Eu nunca me apaixonei. Só que dor, é uma coisa que sinto bastante.





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