sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

#OneShot - Cartas Digitais!


Então, finalmente terminei essa oneshot yaoi que pretendia fazer faz tempo... São dois amigos, que.. Bom Tá aqui. ♥ 
** Cartas Digitais

Lucas não conseguia mais ter as mesmas noites de sono. Sua mente estava tão bagunçada, em um trânsito desordenado de pensamentos que o deixava louco. Os olhos azuis turquesa, o sorriso que adornava seus dias, o cheiro delicioso dos cabelos negros DELE. A presença estava em toda parte; em suas roupas, no sofá do seu apartamento, nos livros de poesia que eles tanto gostavam de lerem juntos. Marcus e Lucas eram companheiros de muito tempo. Se conheceram no ensino médio e desde então uma amizade forte e sincera aflorou entre os dois. As loucuras da adolescência, enfrentaram a pressão da juventude, todos os momentos mais difíceis e bonitos, ele estava lá, seu ombro, sua felicidade. Porém, Lucas não gostava da ideia de ser apenas um “grande” amigo.

Desde que entraram na universidade, sua forma de olhar e sentir o seu amigo mudou totalmente. A amizade inocente entre dois adolescentes, transmutou-se em algo que Lucas jamais havia sentido. A voz distinta e o toque de Marcus faziam seu coração jovem acelerar. Os pensamentos, não mais evitavam se perder nos olhos azuis do rapaz. Ciúmes, por mais que tentasse combater, não conseguia impedir de olhar torto quando ele conversava animadamente com outra pessoa. Demorou algum tempo para entender, e, também, aceitar. Afinal, era um garoto. Pensou estar delirando, mas aquilo era forte demais para ser algum tipo de ilusão. Ele tremia só de pensar em ser rejeitado. A amizade de Marcus era grande e linda demais para ser abalada desse jeito. Tinha medo de receber um “não posso” ou, “somos apenas amigos”. Mas, sabia que com o jeito manso e paciente, o rapaz iria entende-lo. Foram muitas as oportunidades de confessar o seu amor, mas o medo sempre o dominava. 

Então, tudo que ele sabia fazer, era amarrar e guardar aquele sentimento nas cartas que escrevia e despejava todo o seu amor. Algumas horas vagas, quando estava sozinho, pegava seu notebook, e digitava milhares de frases soltas ou textos completos sobre como se sentia. Era quase um diário. A maioria daqueles arquivos, guardavam verdadeiras declarações ao seu amigo, que ele identifica como a maior dádiva e dilema da sua vida. Doía, machucava, sangrava, mas queria proteção. Queria amá-lo, mesmo que ele não soubesse; Mesmo que só pudesse senti-lo nos abraços. Tinha que se contentar com a alegria de ver o sorriso belo dele pelas manhãs, quando chegavam à Universidade onde passavam quase o dia inteiro juntos. 

Deitado sobre a sua larga cama, no meio do quarto, Lucas estava assolado pela insônia. Tentou pegar no sono com uma música calma nos seus ouvidos, mas de nada adiantou. A mente falava mais alto. Levantou-se e foi pegar seu notebook, ia acessar aqueles sites bobos, que não servem para mais nada além de rir, não gostava de escrever durante a noite, para o sono não ir embora por completo. Pensava que a mente se acalmaria e enfim, o sono ia derrubar o corpo na cama, mas, assim que ligou e abriu a tela do notebook, uma foto sua e do belo rapaz surgiu. “Assim, é demais.” Ele suspirou, e fechou a tela rapidamente. Já eram vinte e três horas da noite e seu corpo estava cansado. Lucas se jogou na cama, respirando pausadamente, até que ouviu um som vindo da mesinha de cabeceira, alguém estava ligando.

Como se não quisesse atender, ele esticou o braço preguiçosamente até a mesinha e pegou o celular. Quando viu quem ligava, um sorriso bobo surgiu em seus lábios.

– Marcus? – Disse, animado.
– Oi... Desculpa ligar essa hora. – Não era muito comum Marcus ligar tão tarde. Deveria ser algum assunto importante.
– Não tem problema, aconteceu alguma coisa? 

Marcus hesitou por alguns segundos, deixando o rapaz na outra linha um pouco apreensivo. Mas, disparou:

– Posso ir para o seu apartamento, agora? – Sua voz denunciava certa inquietação.

O pedido repentino deixou Lucas um pouco assustado. Mas, apenas disse “sim” e antes que pudesse perguntar algo, o rapaz desligou o celular, apenas avisando que chegava lá em alguns minutos. “O que deve ter acontecido?”. Ele se levantou, correu para a sala. Andou de um lado para o outro na porta, tentando entender aquele pedido, não queria esperar ele chegar e lhe explicar. Depois de várias hipóteses estranhas, não conseguiu sequer uma resposta. A campainha finalmente tocou.

Seu corpo vibrou, como se fosse ver o amigo depois de longos anos longe. Respirou fundo e foi atender a porta. Abriu um sorriso frouxo e cumprimentou o rapaz.

– Obrigada por me fazer levantar a essa hora. – brincou, como se estivesse mesmo dormindo antes.

Marcus não sorriu. Ultrapassou a porta, com os olhos baixados e se dirigiu até ao balcão da cozinha, que ficava logo à frente da sala. Como era de casa, tinha certa liberdade ali. Lucas fechou a porta e acompanhou os passos do rapaz, cada vez mais curioso. 

– Ih... O que houve? – perguntou.

Lucas andou até o balcão e sentou-se em um dos bancos, olhando o rapaz revirar a sua geladeira. Marcus fechou a porta sem pegar absolutamente nada. Queria tentar algum jeito de não encarar os olhos do seu amigo, sabia que não deveria ter ido para lá.

– Marcus... 

Lucas contornou o balcão, entrando na cozinha. Marcus ficou de costas para ele, com a cabeça encostada na porta da geladeira, sem coragem de virar e responder. Tinha certeza que sairia do controle.

– Lucas eu... – hesitou – Acho melhor...
– O que? – A situação ainda mais estranha.

Os olhos azuis de Marcus teimavam em deixar escapar uma lágrima, mas ele se conteve. Levantou a cabeça, e lentamente, virou-se para Lucas. A expressão franzida do seu amigo pedia uma resposta, percebia-se que ele não conseguia compreender nada daquilo. 

– Estive pensando por um tempo e... É melhor nos afastarmos. – Sua voz falhava. Não queria soltar aquelas palavras, mas achava necessário. 

Aquilo soou como um baque na consciência de Lucas. “Por que ele fala isso?” Pela manhã, estivera tão sorridente na universidade, mesmo que estivessem terminando um trabalho enorme e dificultoso. Depois de todo o esforço, tomaram lanche, enquanto conversavam animados sobre a graduação e o que fariam quando terminasse os estudos. Parecia mais um dia comum para ele. Mas, Marcus escondia um peso que carregava há algum tempo. 

– Por que você diz isso? Não entendo... – Ele coçou a testa, tentando entender as palavras e aflição do seu amigo.
– É que...

O rapaz, apreensivo, andou até o sofá e apoiou suas mãos nele, ainda sem olhar para o companheiro.

– Nós, daqui a pouco vamos terminar a Universidade e... Cada um vai seguir o seu rumo.

Ele conseguiu virar e encarar os olhos questionadores de Lucas. Seus lábios se retraíram, contendo-se para não chorar. Queria parecer forte, mesmo totalmente destruído por dentro; para ele, a decisão era mais do que sábia.

– Essa... Essa amizade tão... – engoliu seco. – Próxima, não vai nos fazer bem.
– Você está se precipitando. – O rapaz tentou raciocinar e encontrar algum motivo para tudo aquilo. Ele andou até seu amigo, observando a respiração rápida e o suor descer pela testa. Marcus apertava os lábios; estava prestes a chorar. Ele percebeu ali que havia uma grande lacuna, e pretendia superá-la naquela hora.

– Você está me escondendo algo. 

Lucas pousou suas duas mãos nos ombros do seu amigo e continuou:

– Diz... O que aconteceu? – Ele tentou parecer calmo, mas sua mente estava em mil faíscas.

Os olhos azuis de Marcus o denunciaram, deixando algumas lágrimas caírem no rosto vermelho e cansado. 

– Eu não posso mais ser seu amigo. – Disse, com a voz embargada pelo choro.
– Quem te disse isso? – indagou.

Sem pressa, Marcus tirou as mãos do amigo dos seus ombros e andou até a janela no fundo da sala. Chovia, como se os céus adivinhassem sua tristeza. Estava a rejeitar alguém tão importante, por medo das dificuldades, do destino.

– Eu queria pensar um pouco mais, só que... Foi o única solução eu consegui encontrar.
– Solução? Que solução? – Lucas aumentou o tom de voz, já impaciente. – Eu acho que você está brincando, deve ser isso, só pode! 

Com a cabeça grudada na janela, Marcus deixou as gotas das suas lágrimas molharem ainda mais as mãos que seguravam com força o parapeito da janela.  

– É melhor para você. Sei que não vai me perdoar. – Disse, soluçando.

Lucas meneou a cabeça e, decidido, foi para o seu quarto. Ao perceber que ficaria sozinho, Marcus o seguiu, queria saber o que ele faria. O rapaz entrou no seu aposento, pegou o notebook e um pen-drive. Podia sentir que estava pronto para revelar seu maior segredo. Não sabia se Marcus realmente iria ler tudo aquilo, mas um enorme peso sairia das suas costas. Marcus o observava mexer no aparelho, ansioso. Depois de alguns instantes, Lucas fechou a tela e removeu o dispositivo. Olhou para o amigo com certo receio, mas conseguiu se levantar. O braço estendido, segurando o pequeno aparelho. 

– Sei que também não vai me perdoar. Vá para casa, veja isso. – Seu olhar insistente, pedia para que Marcus pegasse logo aquilo e fosse embora. 

O rapaz entendeu o recado e pegou o aparelho, sem estar muito a par da situação. Ele saiu, deixando Lucas sozinho no quarto, escutando os seus passos indo em direção à sala. Logo depois, ouviu a porta abrir e fechar, sem muita pressa.

Marcus guardou o pen-drive no bolso e, enquanto andava até sua casa, pensava no que deveria ser o conteúdo do aparelho. Ainda não conseguira parar de chorar, as lágrimas escorriam livres por seu rosto, falar aquilo para Lucas fora impensado. Marcus estava desesperado, lutando contra aquilo há muitos dias, semanas, meses. E não soube mais o que fazer a não ser disparar todas aquelas palavras no seu amigo. 
Sua consciência pesou, não sabia como ia encará-lo no outro dia. 

Ele chegou ao seu apartamento, alguns quarteirões antes do de Lucas. Sentou no sofá, e observou a bagunça do local, eram papéis e roupas jogados ao chão, cds, livros... Tudo por causa de suas desatenções dos últimos dias. Quando ficava sozinho, sufocava, paralisado. Não conseguia fazer mais nada. Desde que começara a ter pensamentos absurdos sobre seus sentimentos, não conseguiu mais um pouco de paz. Não queria se perdoar por aquilo, mesmo sem culpa alguma. Lucas o odiaria se soubesse, pensava ele.
Arrumou a sua sala, fazendo o melhor que podia, e conseguiu deixá-la em ordem. Depois, foi enfurnar-se no quarto, o único ambiente que ele conseguia manter arrumado na casa. 

Tirou o aparelhinho do bolso e sentou em sua cama. Olhou para ele com certa curiosidade, mas, também com medo, do que iria encontrar ali. O que era de tão importante? Por que também o odiaria? Levantou-se e ligou seu computador. Assim que o sistema carregou, conectou o pen-drive.
Havia apenas dois arquivos. Um intitulado “Cartas” e outro “Text”. Curioso, ele clicou diretamente em “Cartas”. Uma mensagem de alerta o impediu de entrar – era um arquivo restrito por senha. “Estranho...
Ele abriu o outro arquivo e, ao ver o seu conteúdo, estranhou ainda mais aquilo. 

--- MARCUS ---

Era seu nome, em letras garrafais. Será que... A senha é meu nome? Lucas nunca foi tão misterioso... Pensava que conhecia todos os seus segredos. Enganara-se.

Ele tentou abrir o arquivo “Cartas” novamente, já com a senha em mente. Assim que digitou, correndo para o “Enter”, milhares de arquivos de texto em fileira apareceram em sua tela. Eram organizadas pela ordem de criação. Pelo que conseguiu contabilizar, eram mais de 100 cartas digitais, diferentes. As cartas eram intituladas com nomes estranhos como “Nostalgia” e “Conchas Azuis”, o que meu nome tem a ver com isso? 
Observou o primeiro da lista, cujo o nome soava familiar. “Conchas azuis”.  Lembrou-se de um punhado de conchas do mar que ganhara do amigo uma vez. Nunca tinha ganhado nada mais inusitado que aquilo, mas achou um presente bastante engraçado. Deixava as conchas dentro de um pote, mergulhadas na água, em cima da sua estante do quarto, elas davam um contraste interessante no móvel que era totalmente branco.
Clicou no arquivo, e, uma página inteira preenchida com um texto surgiu. Lendo-o, entendeu o porquê do nome ser “Conchas azuis.”

“(...) Meus pés cansados deslizavam sobre a areia do mar turbulento; naquele fim de tarde frio, encontrei algumas conchas cor turquesa – lembravam-me os teus olhos, me perdi ao encontra-los pela primeira vez...”

Finalmente ele conseguiu entender o sentido do presente. Realmente, a cor delas lembravam bastante a cor natural e brilhante dos seus olhos. Azul turquesa.

Já surpreso com o conteúdo da primeira, passou para a próxima, “Nostalgia”. 

“Eu te olhava de um jeito diferente, meu coração não estava confuso, nem tampouco desesperado.  A falta da minha juventude com você, sem esses sentimentos difíceis de lidar, assombra-me...”

Aquela frase, logo no início do texto, fez o rapaz recordar-se de como se sentia. Não sabia mais como lidar com seus sentimentos, e, queria afastar-se para tentar esquecer tudo aquilo. Mas, percebeu que compartilhava a mesma loucura com Lucas.  Algumas lágrimas rolaram pelo seu rosto. Marcus pôs a mão no rosto, não sabia se ficava feliz ou triste com o que lia.  Ele voltou sua atenção para a tela branca à sua frente, e depois passou seu olhar para o celular, na escrivaninha. Queria ligar para Lucas, pedir desculpas, abraça-lo... Beija-lo. Mas, estava envergonhado do que fizera.

Chorando, passou para a próxima e a próxima... Lendo uma de cada vez, “(...) Estou cada vez mais imerso, mas te amo tanto, sou incapaz de te deixar...”. Eram tantas frases, textos. Chorava, soluçava a cada parágrafo que lia. Seus olhos estavam exaustos, mas não conseguia parar... “Você parece tão feliz quando está comigo... Será que me ama?”  Lucas também sofria, mas, como ele, escondia-se nos sorrisos, nas conversas descontraídas... E nas poesias.

Isso tudo é para mim. Ele escondeu por tanto tempo...

Os olhos falharam, a cabeça tombou em seus braços, que estavam pousados sobre a escrivaninha. Foi o sono mais pesado que já teve.

Às oito horas da manhã, Lucas encarava a porta do apartamento de Marcus, como se houvesse um bicho de sete cabeças dentro daquele lugar. Será que ele leu... Sua mão estava estendida, pronta para apertar a campainha, mas não conseguia prosseguir. Ele pôs a mão na maçaneta, pedindo para todos os deuses que estivesse trancada, mas assim que forçou, a porta se escancarou. 

O local estava vazio. As janelas abertas, o vento frio entrando na sala. Lucas adentrou de fininho, fechando a porta atrás de si. Olhou para um lado, para o outro. Nenhum sinal de Marcus. 

– Marcus...? – Sussurrou, não queria que ele escutasse.

Não houve resposta. Respirou fundo e partiu para o quarto do amigo, já sem muito receio de entrar na casa. A porta estava aberta, e, de longe, podia ver Marcus sentado na frente do computador, com a cabeça baixada sobre a escrivaninha, aparentemente, dormindo.  Então ele leu mesmo...

Lucas avançou para o aposento, andava rápido, mas não queria acordar o rapaz. Assim que se aproximou da escrivaninha, percebeu que o computador ainda estava ligado, hibernando. Ativou o sistema novamente, e deu de cara com uma das suas cartas, cujo nome era “Prece”. Era uma das últimas, fez em forma de poesia. Foram todas... Não pôde conter o choro. Com certeza, Marcus passou o resto da noite lendo seus devaneios. Ele sabia. Pensou em fugir dali.

Desculpe-me, sou um pecador... Ninguém mais há de me perdoar – Recitou um dos versos, chorando.
Não posso mais barrar esse sentimento, que é meu maior erro. – Marcus continuou, ainda de cabeça abaixada, sua voz soou abafada.

Ele levantou a cabeça lentamente, e fitou os olhos negros do amigo, abrindo um sorriso tímido.

– Prece é uma das mais bonitas.

Marcus pôs-se de pé, ainda com os olhos fixos em Lucas. Com as mãos rápidas, agarrou o rosto do rapaz. Lucas baixou os olhos, nervoso em encontrar as esferas azuis do amigo, ainda chorava, com medo do que viria depois.

– Pensava que era o único louco. – ele sorriu, deixando algumas lágrimas mancharem o seu sorriso. – Acho que me enganei...

Lucas deixou se contagiar pela alegria e emoção do amigo, e soltou um largo sorriso para ele, aos prantos. Encarava os lindos olhos azuis turquesa do rapaz, brilharem, encharcados de lágrimas. Aquele choro não era do sofrimento de todos os dias, por acreditar que o amor era unilateral, mas de descobrir que, durante tanto tempo, os dois – bobos, covardes, como qualquer ser apaixonado – guardavam aquele sentimento, com medo de encará-lo, e, só naquele instante, puderam se confessar, sem mais nenhum medo. A amizade sincera, companheirismo, a união. Lucas se perguntou como nunca havia percebido, Marcus perguntava-se o mesmo. A paixão cega.

Pela primeira vez, seus lábios se tocaram, em sintonia, despejando toda aquela carga em um único beijo. Jamais esqueceriam aquele momento.  Até o fim, o fim dos seus dias, as lembranças dos olhares, das lágrimas de felicidade e dos beijos permaneceriam. 
A amizade transmutou-se em algo que ele nunca poderiam imaginar acontecer. Amor entre meninos. Sorridentes e puros. Mas, todos os medos sempre tentam nos afastar. Sorte que, uma hora, o amor sempre fala mais alto. Seja pelas lágrimas, palavras, até mesmo, pelo bobo ciúmes.

E, quando essa hora chega, dizem que é impossível deter.



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