sábado, 27 de dezembro de 2014

Fanfic Junjou Romantica - "Entre dúvidas e certezas" - Cap. 01

Depois de mais de 15 dias, consegui terminar essa fanfic... Enfim, estava com alguns problemas de procrastinação e a movimentação em casa não ajuda (afinal, estamos falando de uma fic yaoi...) Mas, felizmente, consegui dar um jeitinho e terminar os três capítulos. Não sei se ficou muito boa, e também, acredito que está bem """sonhadora""". Na verdade, fanfics podem tudo... Fiz de uma forma que mostra +/- como eu queria que o Misaki agisse. É narrada em primeira pessoa, o protagonista é o Misaki-kun, meu Uke favorito.  Eu até pensei em botar na voz do Usagi, mas, é quase ''impossível'' para mim. Usagi é meio que '''''impensável'''' seria bem difícil de imaginar seus pensamentos. A fic tem muitos spoilers de Junjou Romantica... O mangá já se passa 3 anos depois.. Quis fazer nessa época.... Então, vamos à Fic! :3


Capítulo 01

Parecia mais um dia normal naquele enorme apartamento que eu ainda não me acostumei a morar. Grande, espaçoso, cabe mais de milhares de mini apart’s ali dentro. Eu sou o responsável por mantê-lo limpo e organizado, já que sou hóspede de mais de 3 anos no local e, seu dono, é um mimado e extravagante escritor, Usami Akihiko, para os mais próximos, Usagi-san. Passei a morar com ele logo depois que meu irmão, Takahiro, se casou e constituiu uma bela família.


Eu tinha 18 anos na época e ainda estava iniciando minha graduação, não pude ficar com meu irmão, já que iria atrapalhar todo o começo do casamento dele. Imagine só, um homem recém-casado, levar seu irmão mais novo para morar com ele e sua esposa? Nossa! É um grande infortúnio. Mas, fiquei imensamente feliz por ele ter se casado, e, depois de algum tempo pôde me dar um sobrinho, o Mahiro.


Usagi-san se sentiu incomodado com o casamento do meu irmão, já que... Era imensamente apaixonado por ele. Quer dizer, não sei, pois, nesses três anos que moro com o Usagi, muitas coisas aconteceram entre nós dois. Quando digo muitas coisas, são muitas mesmo. 

Logo quando cheguei aqui descobri que o Usagi-san é um teimoso, pervertido. Gosta de me agarrar na hora que bem entende, fala bobagens românticas e escreve livros BL com um pseudônimo e, o pior, coloca-me como personagens deles. Eu, sinceramente, não sei muito bem como evitar. Ele me acolheu, de certo modo, cuida de mim – Apesar de que eu cuido muito mais dele – é gentil comigo, amoroso, inteligente... Ele sempre faz questão de dizer que me ama. Mas, não sei muito bem como respondê-lo. Sabe, meus sentimentos ainda são muito confusos, às vezes eu acho que não conseguiria viver sem ele, às vezes acredito que esse sentimento é perigoso para ambos os lados, que nada disso vai acabar bem.
Ainda não me acostumei muito com o tocar das mãos grandes e quentes do Usagi... Em meus cabelos, em meu corpo... Apesar de que esse gesto me conforta tanto. Ele sobre mim... Somos dois homens e, mesmo assim, não consigo evitar sentir tanto prazer estando com ele. Sempre foi tudo muito novo para mim e eu me deixei levar pelo encanto dele.

Cheguei da universidade, cansado. Não tinha muita coisa para fazer no apartamento, toda faxina já estava completa desde da manhã e, mesmo com o Usagi-san em casa, nada poderia ficar em desordem. Ele sempre fica enfurnado com seu notebook escrevendo seus projetos atrasados.Se sujasse algo, seriam algumas xícaras de café. Entrei em casa com um nada animador “Tadaima!”, esperando a voz grossa e, ao mesmo tempo, suave do Usagi responder “Okaeri” para mim. Porém, minhas expectativas caíram por terra.

Apenas silêncio, um mortal silêncio dentro daquele apartamento.

Comecei a pensar que Usagi-san talvez tivesse saído, porém ele sempre me avisava com antecedência suas saídas. Tento me acalmar, descartando essa possibilidade, e pensei que ele pudesse estar no quarto, dormindo sobre o seu notebook, como costumava acontecer quando passava muitas horas trabalhando. Joguei minhas coisas no sofá da sala e subi as escadas, dois degraus de vez. Abri a porta do quarto e nada de Usagi. Seus ursos estavam no lugar, assim como seus brinquedos, o notebook, a cama arrumada. O quarto estava em perfeita paz e sossego. Olhei o Suzuki-san sobre a cama, e, ele me observava de modo estranho, como se quisesse esconder alguma coisa. Eu só acho que ele pensava que minha preocupação era boba. E, comecei a tentar colocar na minha cabeça que era isso mesmo.

Peguei meu celular, procurando alguma mensagem ou chamada perdida. Nada encontrei. Por que ele saíra sem me avisar? Não sabe o quanto fico preocupado!

Resolvi tomar um banho, talvez uma bela ducha quente me deixasse mais calmo. Entrei na ducha pensando em como aquilo era muito estranho. Usagi sempre foi muito caseiro. Nunca sequer saía sem me dar notícias. Ele tinha suas manias estranhas, mas não ia esquecer disso. Que eu saiba ele não tinha nenhum compromisso marcado, só se a Aikawa-san arrastasse ele para algum lugar, mas... Mesmo assim....

Saí do banho, me sequei e vesti minhas roupas vagarosamente, ainda pensativo... Quando decidi descer as escadas e me concentrar no jantar. Talvez praticar meu hobby favorito fizesse esquecer essa preocupação desnecessária. Ele logo estaria em casa e minha cabeça ficaria um pouco mais fria.

Cortei os legumes, preparei o arroz, cozinhei alguns ovos... Tudo com muita paciência e com os olhos grudados no relógio, estava perto da hora do jantar. Nós sempre jantamos juntos. Não era possível que...

De repente, ouvi o barulho da porta se abrindo. Automaticamente, direcionei meu olhar para lá. Usagi-san entrou, silencioso, e me olhou, dizendo um pesaroso “Tadaima”. Respondi, ansioso, “Okaeri”. Mil coisas começaram a passar em minha mente. Queria gritar, adverti-lo por ter saído sem avisar, como sempre fazia em suas teimosias, mas não consegui. Minha garganta falhava.

Ele fechou a porta, deu alguns passos em direção ao sofá, tirou seu sobretudo preto e o jogou sobre o grande estofado vermelho. Tirei meu avental lentamente, e direcionei-me a ele, parando bem à sua frente, esperando seu mais comum e adorável gesto.


Usagi levantou a mão, encostou com suavidade em meus cabelos e afagou-os. Eu amava sentir seu toque em minha cabeça, mesmo que meu cabelo ficasse totalmente desalinhado. Por um segundo pensei que ele iria me beijar, mas acredito que era apenas impressão minha.

– Aonde você foi? – Disse, quase como num sussurro.

Ele permaneceu calado alguns instantes, mas, respondeu:

– Estava preocupado? – Vi, mesmo dentro daqueles olhos pesados, sua destreza de sempre, que me deu certo ânimo para continuar.

– Não... eu só...

– Admite, ficou preocupado. – Sorriu de lado.

Levantei minha cabeça rapidamente e encarei-o com o rosto vermelho de tamanha fúria.

– Você sempre me avisa quando sai! E, pela demora, não foi para comprar cigarros!

Seu olhar esmoreceu rapidamente, percebi que havia algo que ele não queria me contar.

– Não dá para falar agora. Vou tomar um banho e jantar, conversamos depois...

– Usagi-san!...

Antes que eu pudesse terminar, ele pegou seu sobretudo e direcionou-se para as escadas.

Esqueci que tinha algumas coisas ainda no fogo, corri para desligar e dei sorte que nada havia estragado. Comecei a arrumar a mesa para o jantar, com pouca pressa e os pensamentos fora de órbita. Algo grave deveria ter acontecido. Fiquei apreensivo de ter algo a ver comigo. Ele saiu, sequer me avisou, chega com uma ‘aura negra’ como sombra, e diz que conversará depois. Comportamento bastante atípico. Quando é um assunto irrelevante, banal para o Usagi, ele simplesmente dispara, sem pestanejar. Porém, dessa vez eu acreditei que deveria me preocupar. Poderia ter algo a ver com o Ijuuin-sensei, que me persegue desde que comecei a trabalhar perto dele, ou com o irmão ou pai do Usagi, ou com meu irmão Takahiro... São tantas coisas que passam pela minha mente, que eu não sei mais o que pensar. Espero que eu não esteja causando problema algum ao Usagi, não posso ser um fardo ou ele...

– Usagi!


Ele chegou por trás, como um gato arisco, e beijou o meu pescoço, um dos pratos escorregou das minhas mãos.Esse escritor mimado sempre me assusta. Abaixei-me rapidamente e peguei o prato, que, por sorte, não se espatifou no chão. Coloquei o prato sobre a bancada da cozinha e virei-me para o Usagi-san.

– Por que você sempre faz isso?!

Ele segurou meu queixo, delicadamente, com uma das mãos e levantou minha cabeça, olhou profundamente nos meus olhos.

– Pare de pensar bobagens. Já disse que conversaremos mais tarde.

Acredito que meu rosto começou a ficar vermelho. Ele sempre percebia quando eu estava preocupado.

– Não estava pensando em nada, estava tentando arrumar o jantar antes de você me atrapalhar! – Tirei meu rosto rapidamente da sua mão e voltei ao meu trabalho.

Usagi observou meus movimentos, de braços cruzados, parado na cozinha. Eu nunca sei decifrar o que ele pensa ou como vai agir. É imprevisível.

Depois de toda a mesa posta, jantamos calados, cada um mergulhado em seus pensamentos. Quase sempre conversávamos um pouco enquanto comíamos, mas, dessa vez, nem uma palavra saiu de nossas bocas. Eu o olhava de vez em quando, sentado junto a seu urso favorito, o Suzuki-san, que nos “acompanhava” no jantar. Por mais curioso que eu estivesse, em nenhum momento tentei persuadi-lo a falar sobre sua estada fora de casa. Eu e ele permanecemos calados, até que terminamos nosso jantar.

Tirei todos os utensílios da mesa e comecei a limpar e organizar tudo. Usagi subiu para o primeiro andar, agarrado a seu urso. Entrou no seu quarto, sem dizer uma palavra. Comecei a lavar a louça, com lentidão. Bloqueei qualquer pensamento que viesse a minha mente, não queria perder a concentração. Usagi, de repente, apareceu na cozinha, pegou uma xícara e serviu-se de café. Ele se sentou à frente da bancada, apoiou os cotovelos sobre ela e passou a me observar.

Alguns instantes depois, resolveu romper o silêncio:

– Encontrei-me com seu irmão hoje à tarde.

Tive certo espasmo ao ouvi sua voz dizer aquilo. Parei instantaneamente e virei para ele, esperando continuar sua fala.

– Ele me disse que espera você sair daqui em pouco tempo.

– Sair daqui?

– Sim, quando você terminar sua graduação... Já está bem perto.

Percebi que havia deixado a torneira aberta, fechei-a rapidamente. A louça já estava completamente limpa. Enxuguei minhas mãos, tirei o avental e voltei-me para o Usagi-san. Não sabia o que dizer a ele, estava completamente sem reação. Apenas baixei os olhos, e esperei ele continuar.

– Ele quer que você consiga um apartamento, constitua sua família, com filhos, esposa, enfim, entre na sociedade como ele acredita deve ser. – Ele terminou essa frase com a voz mais grave do que o habitual.

Meu irmão sempre teve muitos planos pra mim... Quase um pai. Desde meus 8 anos, quando perdemos nossos pais, ele me cria com todo o amor e dedicação. Na mesma medida, tentei retribuir tudo o que ele fez e faz por mim. Sempre amei o Takahiro, admirando-o a cada dia que se passava. Só queria agradá-lo de todas as formas que pudesse, afinal ele sempre quis o meu bem. Mas, seus planos para meu futuro não estavam compatíveis com o que eu sentia. Comecei a me sentir culpado... Estava perdido em meus pensamentos, quando o Usagi me despertou.

– Misaki?

– Sim? – sussurrei.

– Eu disse para ele que conversaria com você, mas Takahiro pretende falar com você e...

– Usagi-san? – Interrompi-o.

– O quê?

– O que você acha disso? – Minha voz ecoou pelo local.

Usagi terminou seu último gole de café e levantou-se, contornando a bancada da cozinha para me alcançar. Ele parou bem à minha frente e pôs suas mãos sobre a minha cabeça.

– Eu não vou deixar que se afaste de mim.



Rapidamente, ele tirou sua mão dos meus cabelos e levou-a até meu queixo, levantando-o.Sentir seu beijo quente em meus lábios era o conforto que eu mais precisava no momento. Foi um gesto rápido, pois logo ele se afastou e disse:

– Takahiro acha que não é apropriado você continuar vivendo comigo, já que daqui há algum tempo conseguirá um emprego melhor. – Ele encostou a boca em minha orelha, e sussurrou – Mas, o melhor é que você continue aqui, do meu lado, ou... Não sei muito bem o que poderá acontecer.

Tremi dos pés à cabeça ao ouvir suas palavras. Afastei-me rapidamente dele e observei o seu rosto.Seus olhos pareciam sorrir para mim, carregados de sarcasmo. Usagi sorriu, discretamente, e saiu, retornando à sua caverna, preso com seus projetos.

Nunca pensei que algumas palavras me fizessem ter sensações tão estranhas dentro de mim. Passar três anos morando com amigo do meu irmão, que fora meu tutor e me deixara ser hóspede de seu luxuoso apartamento. Porém, de certa forma, uma hora ou outra, alguém iria achar que seria incômodo para ambos continuar desse jeito. Eu já deveria estar ciente daquilo... Porém, algo aqui dentro negava-se a aceitar tudo.

E eu não sabia explicar o que era.








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