sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

- Teias



Às vezes tudo parece distante. O mundo lá fora é como um enorme campo, às vezes vazio - às vezes cheio, mas sempre distante. Algo que meus olhos jamais conseguirão se acostumar. São coisas demais. O homem a andar na rua, pensando vagamente em sua vida; fregueses a discutirem com comerciantes sobre o preço da laranja; a mulher a andar agoniada na rua, preocupada com horário de trabalho; crianças a correrem, indo para a escola; crianças deitadas na rua, desalentadas, sem ter o que se alimentar. São tantas vozes, caminhos, tantos universos. São tantos nós, nós estirados, pelas ruas, dentro das casas, dentro das mentes. Chega a ser confuso. O mundo é formado por teias - furadas, degastadas, algumas desmontadas. Meus olhos, a enxergar além - não se acostumam. O que me encaixa? Meu corpo vaga por essas ruas,  a olhar seus movimentos contínuos, iguais e vazios. Sempre os mesmos. Às vezes sinto que meu espírito jamais se acostumará com TUDO isso. Com todos esses caminhos, com todas essas adversidades. Por mais que o mundo seja incrível, a simplicidade se afasta, distancia, e, meus olhos, a acompanham, pesarosos. Cada dia que passa, as linhas vão se encontrando, se enrolando, formando teias e caminhos cada vez mais extensos, complexos e nós - indo com eles.


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