domingo, 22 de fevereiro de 2015

~ O Primo Basilio!



"E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!

Ergueu-se de um salto, passou rapidamente um roupão, veio levantar os transparentes da janela... Que linda manhã! Era um daqueles dias do fim de agosto em que o estio faz uma pausa; há prematuramente, no calor e na luz, uma certa tranquilidade outonal; o sol cai largo, resplandecente, mas pousa de leve; o ar não tem o embaciado canicular, e o azul muito alto reluz com uma nitidez lavada; respira-se mais livremente; e já se não vê na gente que passa o abatimento mole da calma enfraquecedora. Veio-lhe uma alegria: sentia-se ligeira, tinha dormido a noite de um sono são, contínuo, e todas as agitações, as impaciências dos dias passados pareciam ter-se dissipado naquele repouso. Foi-se ver ao espelho." O Primo Basílio, Eça de Queirós. Editora Martin Claret, Série Ouro. Pág. 160 - 161.
" Vim saber esses dias que o primeiro parágrafo ali, está presente na música 'Amor, I love you' de Marisa monte *0* A imagem acima é de uma minissérie da Globo... "
Terminei o Primo Basílio! Sim, demorei um pouco, mas o meu livro é pequeno, as letras eram minúsculas, e a cada 10 páginas que eu lia, minha vista cansava um pouco, sem contar os dias de movimentação em casa que me impossibilitam de fazer qualquer coisa... Por isso, demorei. Porém, em todo livro quando alcançamos o final, vem aquela vontade de devora-lo até acabar, e com esse não seria diferente.Por ser o texto integral (sem recortes, o original do autor), o seu português era lusitano, bem rebuscado. Porém, dá para seguir de boa... Uma coisa que me incomodava, mas é uma qualidade interessante, eram as descrições bem detalhadas do autor. É bom para visualizar o ambiente, mas eu não gosto muito.


Bom, a história é aquela, a qual a maioria conhece. Luísa, uma moça de 25 anos, burguesa, loira e bonita é casada com Jorge e são o tipo de casal perfeito (mesmo não tendo filhos). Certo dia, Jorge tem que viajar a trabalho e Luísa, coitadinha, fica sozinha em casa com suas duas empregadas, a megera Juliana e a cozinheira Joana. Ela sente-se sozinha, desenganada por ter seu querido maridinho longe durante tanto tempo, porém seu primo e antigo namoradinho Basílio aparece para "consolá-la". E o resto todo mundo já sabe. Trocam cartas, Juliana rouba-as, ameaça Luísa e assim desenrola-se... Eu assisti o filme, e tudo é muito diferente. A história é passada no Brasil, as cenas, apesar de terem a essência das originais, foram muito alteradas, faltam alguns personagens... Bom, temos que relevar, afinal são "adaptações", a visão de alguém sobre obra do Eça de Queirós.

Eu vi como Luísa uma boba, sonhadora, menininha "mimadinha", que vê no relacionamento de Basílio uma aventura, a qual deveria se jogar. Basílio um dândi (um homem que vive superficialmente, que gosta de luxo ~explicação melhor no link ), romântico de boteco ( seus sentimentalismos são tão bléeeh rsrs), aproveita-se da falta de raciocínio de Luísa para aproveitar de seus "atributos". E Jorge, hm... Marido ciumento, mas muito zeloso e eu acredito que ele realmente amava Luísa. Mesmo no desespero ao saber que tinha sido traído, ficou ao lado de sua esposa. Quando estudei realismo (movimento o qual a obra pertence), não pude ler o livro, mas dizia-se que faziam críticas à burguesia. Quando li, realmente, consegui ver isso perfeitamente. No caso, um casal visto como perfeito, mas cheio de superficialidades e podres. Mas, ele não critica a burguesia somente no triângulo "Basílio - Luísa - Jorge", por exemplo, Leopoldina, amiga de Luísa do colégio, era uma mulher casada e vivia inúmeros "casos" e era muito "falada" na cidade. Tínhamos também o Conselheiro Acácio, que relacionava-se com sua empregada e esta o traía com outro homem, e por aí vai....

Bom, não sei muito bem escolher personagens favoritos nesse livro. Todos tinha algo que eu simplesmente não gostava. Mas, acho que Sebastião era o que eu mais simpatizava. Grande amigo de Jorge e Luísa. Era meio "bobinho", mas estava sempre disposto a ajudar e foi quem praticamente "salvou" Luísa (apesar dela morrer no final). Gostava de Leopoldina também, era uma mulher desinibida, namoradeira, mas me parece que ela não se importava com os falatórios... Foi um livro que eu simplesmente adorei ler, tinha personagens cômicos como D. Felicidade, uma senhora amiga da família, apaixonada pelo Conselheiro Acácio, mas totalmente rejeitada por ele ( Chega a usar de vodoo kkk)... Dá para sentir ódio, pena, dor, você acaba sentindo junto com os personagens, é incrível.  Estou com vontade de ler "O Crime do Padre Amaro", é do mesmo autor ;)
Enfim, agora vou partir para meu livrinho de contos do Edgar Allan Poe! Suspense e Terror *-*


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