domingo, 19 de abril de 2015

nunca me esconda uma dor - fanfic original.



Esses dias estou para fanfics! Terminei a de laxus x freed, comecei a postar GR, e fiz essa original agora em um ímpeto, simplesmente queria escrever algo mais sentimental ♥ essa fic é uma proposta diferente a qual eu sigo em minhas fics originais... Não sei pq, acho que minha escrita está um pouco diferente.. Espero que seja para melhor kkk  Era para ser uma oneshot, mas acabei por fazer 2 capítulos e os dois estarão nessa mesma postagem ( estou com preguiça de colocar em duas he.) provavelmente, amanhã estará no nyah :)

O sofá onde meu corpo repousava, parecia pequeno demais para tamanha tristeza que eu sentia no momento. Ele chegaria em poucos minutos e eu não suportaria olhá-lo novamente e ter de encarar sua expressão indiferente, impassível.


Louis, a cada dia que passava, parecia cada vez mais distante de mim.


Seus olhos negros não mais encontravam os meus, com aquele jeito meigo, o qual eu amava.  Eu não mais sabia como era sentir o seu beijo, nossas antigas conversas durante à noite, trocávamos apenas um “bom dia” ou “boa noite”, isso se eu conseguisse vê-lo chegar ou sair.


Sexo? Ah! Há quantos dias nós não nos tocávamos? E eu já tinha perdido as contas.


Realmente não sabia o que estava acontecendo entre nós dois e ele não queria me dizer o que sentia. Era como se nosso relacionamento estivesse entrado em um estado de coma profundo, sem previsão de acordar. Certas horas eu sentia vontade de gritar, chorar, jogar-me em seus pés, dizer quanto o amava.


Forçá-lo a dizer o mesmo. Pois, eu sabia, Louis ainda me amava.


Como eu tinha tanta certeza disso? Simples, eu dormia ao seu lado e... Eu escutava meu nome em seus devaneios à noite. A primeira vez que presenciei isso, há 2 semanas, acreditei que ele estava querendo me acordar. Mas, quando vi seus olhos fechados e a boca entreaberta sussurrando o meu nome, percebi que eram os seus sonhos.


Eu ainda estava em seus sonhos. Então... Deveria estar também em seus pensamentos. E, enfim, recobrei a minha esperança de reacender o nosso amor. Só não entendia o porquê de seu comportamento. E me martirizava ao imaginar o porquê.


Comecei a me encolher, sozinho.


Louis era um homem rico, e muito focado em seu trabalho. Administrava, junto ao seu pai, uma grande empresa de cosméticos Vivia sempre ocupado, porém, não erámos assim alguns meses atrás.


Ouvi o motor da sua Range Rover chegar na garagem. Como um raio, ele já se encontrava abrindo a porta. Entrou, destruindo o nó da gravata com seus dedos hábeis.


– Boa noite.


Ele atravessou a sala, sem ao menos me olhar.


Não respondi o seu cumprimento.

Nenhuma palavra sequer saiu da minha boca. Se eu a abrisse, todas as palavras emperradas na garganta, viriam à tona. E depois eu me arrependeria.


Ouvi seus passos pararem. A respiração calma e baixa dele tornou-se o único som da sala.  Meus rosto estava entre as almofadas, talvez pensasse que eu estava dormindo.


– Eu sei que está acordado, Near.


Ainda com o rosto encoberto, disse,


–  Não sei há quanto tempo não te ouço chamar o meu nome – fiz uma pequena pausa – quando está acordado.


– Como? – Indagou.  Franziu o cenho, estranhando minha fala.


Pude contemplar o seu rosto, com seus olhos negros bem abertos. A barba por fazer... O rosto cansado do trabalho. Continuava lindo, como sempre.


– Sei que me chama em seus sonhos, mas não quer vir até mim. Por quê?


Tentei passar uma suavidade confortadora em minha voz, mas não fora muito efetivo.  Ele mordeu o lábio inferior, talvez tentado entender o que dizia, ou... simplesmente negando-se a aceitar àquelas palavras...


Ele sabia que eram verdadeiras.


Louis me deixou largado no sofá cor de creme da sala e virou-se para a escada. Eu podia ouvir os seus passos chocarem-se com força contra os degraus, ia para o nosso quarto.


Pensei em me levantar, pedir desculpas por perturbar a sua consciência, mas não me movi. Não podia me mover. Estaria negligenciando a nossa crise.


Levantei-me vagarosamente, e fui à cozinha. Pensar demais dava muita fome. Já passava das nove, provavelmente ele já jantara e eu não estava a fim de preparar algo. Fiz um sanduíche rápido, peguei um pouco de suco de caixa e sentei-me a mesa, devorando o meu “jantar”.


Terminei de comer rapidamente, e fiquei sentado à mesa, observando a porta da cozinha. Esperava o Louis aparecer para beber água, café, suco, qualquer coisa! Antes de dormir ele sempre ia à cozinha beliscar algo. Devem ter passado ao todo 15 min. E eu, como um imbecil, ainda olhava a porta, em uma falsa esperança.


Quase decidido, saí da cozinha, mas meu corpo parecia não acatar meus desejos. Arrastava-me pela escada, tentando adiar aquilo, mas era inevitável. Subia degrau por degrau, passando meus dedos sobre o corrimão.


 Até que cheguei a porta do quarto. Estava escancarada, o que não era seu costume. Vi suas roupas jogadas na cama, a almofada onde dormia amassada e, sua pasta de couro sobre a poltrona acolchoada da escrivaninha. Ele deveria estar no banho.


Andei até a cama, e sentei do lado de sua almofada e comecei a acariciar o tecido do seu terno negro. Na parte dos ombros, alguns fios soltos dos seus cabelos negros. Por acaso, pousei minha mão na almofada e, senti algo úmido em meus dedos. Peguei o travesseiro com ambas as mãos e senti o cheiro – eram lágrimas.


De repente, perdi o meu receio.


Rápido, levantei e fui para o banheiro. Na porta, ouvi o som da ducha. Entrei, sem ao menos pedir licença.


Vi, então, o Louis dentro do box. Pelo vidro opaco, não conseguia ver o seu corpo com muita nitidez. Porém, seu pescoço estava arqueado para cima. Permanecia inerte, como se não quisesse se mexer e deixasse a água levar suas mágoas. Ele não percebeu a minha presença.


Tirei minhas roupas, e as joguei entre as peças sujas. Silencioso, abri o box e o observei.

Estava de olhos fechados. Provavelmente, suas lágrimas eram carregadas pela água que caía em seu rosto. Fechei o box e me juntei a ele.


Envolvi-o em meus braços.


Por alguns instantes, ficamos calados. Ele encaixou seus braços em minha cintura, e deixou o corpo cair sobre o meu, como se quisesse ser carregado por mim. E eu faria isso, sem pestanejar.


– Invadir o banho dos outros é feio, sabia? – Disse, o rosto enterrado em meus ombros.


Suspirei e, finalmente, consegui perguntar,


– O que houve?


Senti sua barba roçar em meu pescoço, ao balançar a cabeça para os lados.


– Nada – sussurrou.


– Acredito que as pessoas não choram por nada.


– Não estou chorando.


– Então, jogou água em seu travesseiro? – Disse, intimando-o.


As mãos fortes de Louis apertaram a minha cintura. Ele arfou, ainda sobre os meus ombros.

Deslizei minhas mãos pela sua coluna, e encontrei os fios ralos de cabelo. Como uma marionete, ele deixou que eu puxasse sua cabeça para frente, enfrentei seus olhos negros, agora mansos. Encostei meus lábios nos seus e, no mesmo instante, ele me respondeu.


Beijou-me como se sentisse falta daquilo e eu tinha certeza que ele sentia.


Ele parou, ofegante. Por um instante, pensei que não me queria mais ali. Louis soltou minha cintura, e eu o libertei dos meus braços. Abriu o box e saiu do banho, sem dizer mais nada.

Desliguei o chuveiro e observei seu jeito lento ao vestir o roupão branco de algodão. Parecia desleixado, mole, tudo, menos o Louis.


– Não quer me ouvir? – Disse, ao terminar de dar o nó em sua cintura.


Assim que ele deu o primeiro passo em direção à porta do banheiro, eu saí do box peguei o roupão sobre a bancada e saí, vestindo a peça.


Encontrei o Louis no quarto, arrumando suas roupas sobre a cama, já que odiava bagunça. Parei no meio do quarto, e fiquei a observa -lo enquanto terminava de dobrar sua camisa branca. Ele a colocou acima do seu paletó e levantou a cabeça, para me devolver o olhar.


–  Senta aqui.


Encostou a mão sobre o colchão, ainda a me olhar. Acatei o seu pedido, ansioso para o que estava prestes a ouvir. Assim que sentei ao seu lado, ele pendeu a cabeça para baixo, fitando o assoalho de madeira negra do nosso quarto.


Ainda com o rosto virado para baixo, Louis suspirou. Sua mão deslizou pela superfície lisa do lençol, até encontrar a minha. Apertou-a, talvez, procurando alguma força.


Naquele momento, eu não mais queria adiar aquela conversa.


– Não sei o que está acontecendo... Mas, quero entender.


– Eu... Tenho que te perguntar uma coisa.


Minha mente já fervilhava de tantos questionamentos que tinha a fazer e, ele queria me fazer perguntas. O que eu poderia responder, se nada sabia sobre tudo aquilo?


Simplesmente aquiesci, balançando a minha cabeça.


– Há quanto tempo você se separou dos seus pais mesmo?


Assim que ele terminou sua frase, tive um sobressalto. Meus pais?! Quem eram mesmo os meus pais? Ah! Aqueles que me abandonaram quando souberam quem eu realmente era. 


Não sabia mesmo o intuito daquela pergunta, mas minha resposta veio cheia de certeza.


– Não sei, também não me interesso em lembrar. Por quê?


– Tenho recebido uns telefonemas, esses dias.. E..


Arfei, já perdendo a minha paciência. O que '"eles" tinham a ver com isso?


– Queriam saber sobre você. Queriam saber sobre mim. – ele fez uma pausa, e olhou-me, sério – Queriam saber sobre nós dois.


Eu olhava o Louis sem entender absolutamente nada do que ele falava. Ou, eu simplesmente não queria entender. Tentei controlar a minha respiração, mas era inútil. Tremi dos pés a cabeça e acabei por sair de perto dele, olhando para todos os lados, sem saber o que dizer, ou... Sentir.


Eles estavam atrás de mim. Mais uma vez.


– Não quero que vá embora. Não posso te perder. – sua voz denunciou o sofrimento.Louis estava prestes a chorar.


Eu voltei para ele, desesperado, ajoelhando-me a seus pés. Queria chorar junto ao meu amor, porém não conseguia. A raiva consumira minhas lágrimas.


– Por que tentou enfrentar isso sozinho, Loui? – disse, quase gritando com ele; mesmo vendo-o tão frágil. –  Eu pensei em tantas possibilidades! Pensei em tudo, menos isso!


– Eu não queria te preocupar, eu só...


Disse, entre lágrimas. Não sei qual de nós dois, naquele momento, precisava mais de apoio. Só sei que procuramos um nos braços do outro.  Entendi realmente porque me chamava em seus sonhos... Tinha medo, medo de eu sofrer novamente por causa daquelas pessoas que insistiam em me ver infeliz.  Tentou enfrentar sozinho... Mas era inútil. Ele chorava, enquanto eu tentava pensar que era apenas um pesadelo. Fechei os olhos, até que o interfone interrompeu nosso momento.


Olhei o relógio, eram vinte duas horas e trinta e sete minutos. Não pude pensar em outra coisa.


– Não tem ninguém em casa. – disse, ainda nos braços dele.


– Mas não sabemos se...


– Louis, não tem NINGUÉM em casa! – Eu o apertei, com maior força que podia.


Louis se soltou dos meus braços e eu, não fiz muita questão de detê-lo. Eu sabia que ia fazer aquilo, quando queria, era teimoso.


Corri para alcança-lo. Quando cheguei à cozinha, ele já estava ouvindo nossa "visita", sua expressão não era nada animadora. Quando terminou, logo perguntei,


– E então, Loui?


– Era seu pai. Eles querem te ver lá fora.


Cravei minha mão na bancada da cozinha. Pedindo a todos os deuses que me dessem coragem para realizar o plano o qual me achegava.


– Não mesmo.


Em um ímpeto, agarrei a mão do Louis, arrastando-o para o nosso quarto. Quando percebi, voltando ao meu estado normal de consciência, já estávamos no carro dele, totalmente vestidos, arrancando para a rua. Fugíamos pelos fundos da nossa casa.


– Espero estar fazendo o certo. – Disse, afundando o meu corpo no banco de couro do seu carro.


– Acredito que sim – Ele sorriu para mim, estava feliz com o meu plano.


Primeiro, Louis acreditou ser uma loucura.


"Tá doido?! Seu pai é um monstro! Vai nos seguir!"  disse, enquanto observava eu me vestia, sem ao menos olhar a roupa que pegava.


" Não! Saímos pelos fundos"


"Ele sabe que está aqui, sabe onde trabalha, deve ter contratado um detetive, ou sei lá o quê! Pode ir lá e tentar te dar uma surra, como fez da outra vez!!" ele agarrou o meu braço, pude ver o desespero cravado em seus olhos negros.


"Amor, vamos tentar... Não posso vê-lo, é para o nosso bem. Vamos... Vista-se. " Eu já havia terminado de me vestir. Depois,  agradeci com um beijo por ter acatado o meu plano.


Louis dirigia rápido, fiquei tão feliz por sua agilidade no volante. Tínhamos pegado  dinheiro e roupas, caso precisássemos de alguns dias. Eu não sabia para onde iríamos, mas tinha quase certeza que o Louis estava a ir para sua casa de campo. Aconchegante, escondida. Total paz. Eu amava aquele lugar.


Ficamos calados alguns instantes. Eu não sabia muito bem o que dizer, só queria sumir, fugir naquele momento, mesmo que eles soubessem tudo sobre mim e viessem me ver novamente. Eu precisava de algum tempo para pensar e agir. Fiquei olhando a estrada iluminada pelos faróis do carro.


Percebi que Loui a todo momento observava o retrovisor do carro, inquieto.


– Louis, não diz que.... – Disse, olhando para trás.


– Sim, tem um carro prata nos seguindo.


Inevitavelmente, pendi a cabeça para a janela do carro. Solucei, ainda querendo chorar, mas não consegui. Acabei olhando o retrovisor lateral do carro, e vi o carro acelerando cada vez mais naquela estrada vazia. Loui fez o mesmo, seu carro deslizava pela estrada, como se estivesse flutuando. Ainda estava na velocidade permitida, não me preocupei em pedir que ele diminuísse um pouco, apesar da urgência da situação.


– Eu não sei o que fazer para despistá-los. Não temos contornos por aqui – Confessou.


Nossa residência era um pouco afastada da cidade. Tínhamos que pegar uma estrada bastante vazia, cercada de relva alta, até chegarmos à 'civilização'. Torcia para estarmos lá o mais rápido possível.


– Fica calmo. Quando chegarmos lá podemos nos infiltrar em qualquer rua e deixar eles para trás. Depois retomamos o nosso caminho. – Eu tentava acalmá-lo, mesmo tão nervoso e inseguro.


Assim que terminei de falar, senti o meu corpo ser puxado bruscamente para frente, depois para a esquerda a direita; as mãos hábeis de Louis a girar o volante para o lado, o cantar fino dos pneus do carro a girar na estrada.


Um som de uma colisão, estilhaços de carro a despedaçarem no chão.


Minha cabeça bateu em algum lugar e, minhas pálpebras se fecharam.


Capítulo II


Não sei quanto tempo se passou, até o momento em que acordei. Totalmente zonzo, sem saber o que acontecera. Loui estava com a cabeça sobre o volante, desmaiado. Tentei analisar o seu rosto, forçando minha visão turva. Pelo menos, percebi que ele não estava machucado.


Olhei para frente e nada vi além de parte da estrada e a relva. Nosso carro parecia virado, quase atravessado na estrada. Balancei o Louis levemente e ele se mexeu, acordando.


– Amor... Amor...


Louis balançou a cabeça sobre o volante, levantou, levando sua mão à testa, deveria estar zonzo, assim como eu.


– Tudo bem? – Perguntou, quase sussurrando.


– Sim, estou.


– Eu consegui...? – Disse, sem esconder a estranheza em sua voz.


– O quê?


– Tinha um animal atravessando a pista... E... Eu girei o carro... – Ele apertou os olhos, como se tentasse lembrar do que aconteceu.


Olhei para os lados, procurando o carro prata dos meus pais.


– Paramos no meio da estrada, você conseguiu estabilidade...  Mas, cadê eles?


Abri a porta do carro, com urgência. Louis me acompanhou.


Quando saí, pude ver que eles não tiveram a mesma sorte que nós dois. Recuei um passo, sem saber como reagir ao que via.


O carro capotou e eu podia ver que a frente estava totalmente destruída. A fumaça se esvaia do motor, misturando-se a escuridão da noite. E eu tive medo. Medo por quem estava ali dentro.


Loui me segurou pelos braços, pois minhas pernas já não davam conta do peso do meu corpo.


A culpa caía sobre mim.


– Calma, calma, foi um imprevisto.


Ele se adiantou a pegar o celular e chamar a ambulância. Enterrei meu rosto em seus ombros, sem querer ver e ouvir mais nada.


Em instantes, estávamos cercados de homens vestindo uniformes azuis com faixas brilhantes. Luzes piscando sobre o meu rosto e homens vestidos de preto enchendo o Louis de perguntas. Fiquei ao seu lado o tempo inteiro, ouvindo seu relato do acidente. Ele não escondeu absolutamente nada da verdade.


"Corriam atrás de nós, e eu acredito que estavam em alta velocidade. Quando vi um animal a atravessar, tentei desviar, e consegui para o carro antes de sair da estrada. Acho que eles não conseguiram fazer o mesmo e... "  Vi que Louis estava nervoso, permanecia muito estático... Mas, tentava passar tranquilidade aos policiais, e conseguiu.


" Eles seguiam vocês?" Perguntou um dos homens.


"Eles são meus pais, estavam nos seguindo sim... Não sei o porquê."


Encontraram alguns documentos no carro deles e, como eu também portava os meus, provei que eram realmente os meus pais.


Estavam sem cinto de segurança. Os dois não resistiram aos impactos, nem aos estilhaços.


Nunca mais estaria com Kendrick & Marrien Taylor novamente.

Como filho e envolvido no acidente, fui chamado a dar alguns depoimentos  e tive que contar tudo o que acontecia entre nós. Eles estranharam a história, mas depois descobriram que, realmente, meus estavam a me investigar e queriam saber de todos os detalhes da minha vida.

 Quando os corpos deles foram liberados, um dia depois do acidente, fizeram o funeral. E eu não estava com muita coragem de comparecer.


Porém, Louis me deu certa força e eu consegui me levantar e aparecer lá.


Tantos rostos conhecidos, que eu nem mais lembrava os nomes. Olhavam-me de um jeito que eu não sabia identificar se era pavor ou susto. Sabiam da história. Sabiam que eu era o filho único e "revoltado". Provavelmente, já sabiam do meu envolvimento no acidente. Tive vontade de fugir.


Louis me segurou pelo braço, e eu tive vontade de afundar o meu rosto em seu peito. Não para chorar, pois nem uma lágrima saía dos meus olhos, mas para me esconder daqueles olhares insanos. Entretanto, mantive minha cabeça erguida e ainda consegui permanecer por lá alguns instantes. Calado, olhando os tenebrosos caixões no meio da sala acobertada de pessoas chorando e lamentando.


Um homem de terno cinza e jeito sisudo veio até mim, chamando-me para conversar a sós. Parecia um advogado, e era. Cochichei no ouvido do Louis que iria acompanhar o homem e saí da sala. Fomos até o pátio do centro de velórios, como estava vazio, podíamos conversar em paz.


– Você é filho único dos Taylor, Near, sim? –  Disse, ainda com sua expressão séria.


– Sim, sou eu. –  Respondi, mesmo que eles não fizessem muita questão de considerar-me um 'filho'.


– Sou Antony Casseiras, advogado do seu pai. Teremos que conversar sobre os bens deles. Podemos marcar amanhã, em meu escritório? –  Ele estendeu a mão para mim, entregando seu cartão com endereço e telefones de contato.


Eu olhei aquele cartão alguns instantes, pensando em porquê eu teria de fazer aquilo. Nada me pertencia. Nunca me perdoaria se aceitasse.


– Não quero saber de bens. –  Disse, recusando o seu cartão.


Sem demonstrar nenhum tipo de surpresa após ouvir a minha resposta, ele guardou o cartão em seu bolso.


– Bom, eles não deixaram testamentos, então... Os bens são seus por direito. Se quiser contatar depois, já sabe o meu nome. Pode conseguir endereço e telefones com facilidade.

– Não se preocupe, não quero mesmo.


Saí sem cumprimentá-lo, indo buscar o Louis para irmos embora. Aquele ambiente não era para mim, não queria estar lá nem mais um minuto.


Saímos enquanto faziam as preparações para o enterro. Aquele último momento em que olhei os caixões serem carregados para os carros de funeral, lembrei-me de todas as vezes que maldisseram sobre mim. Chamaram-me de "ingrato", "impuro" e tantas outras coisas que me fizeram chorar... Quando perseguiram, tentaram fazer da minha vida um verdadeiro mar de sofrimentos. Olhei seus rostos dentre as flores e pensei... Tudo aquilo deveria ir com eles. Talvez, eu estivesse perdoando meus pais, naquele momento. Talvez eles olhassem para mim, sabe-se lá onde estivessem, com outros olhos.


Enquanto Louis dirigia, indo para o aconchego de sua casa de campo, encostei minha cabeça em seu ombro, melancolicamente. Senti seu cheiro tão peculiar, que já se impregnava em mim há mais de 10 anos.


– Obrigado por sobreviver comigo tudo isso.


Ele sorriu de lado, e tirou uma das mãos do volante para acariciar os meus cabelos castanhos.


– E nunca me deixe louco sem saber o que está acontecendo, nunca me esconda uma dor. –  beijei a sua bochecha, carinhosamente.


– Tudo bem.


Finalmente eu estava a ouvir sua risada gostosa, tive vontade de beijá-lo, mas tinha que esperar chegarmos em casa.


Conseguimos chegar lá, sem muito stress. Saí do carro e espreguicei-me olhando aquele jardim maravilhoso, a vista da floresta lá embaixo. Vendo-me desatento, Loui me chamou,


– Ei mocinho, vem me ajudar com as malas aqui!


Corri para ajudá-lo e, antes dele abrir a traseira do carro, encostei-o no vidro agarrando sua cintura a minha, e o beijei, como se quisesse agradecer por todo o seu apoio, a sua força... Por me ter durante todo aquele tempo. Louis se jogou sobre mim, como sempre fazia quando nos beijávamos, deixando que eu o conduzisse.


– Você está bem? Não está? –  Perguntou, acariciando o meu rosto.


– Estou sim... –  aquiesci, sem saber se estava sendo sincero ou não.


Louis entortou sua boca, em um beicinho. Sabendo que eu estava mentindo.


– É como dizem... "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço..."


Eu o beijei novamente, agora em um selinho. Como se dissesse "depois conversamos sobre isso..." e ele entendeu o meu recado. Eu o soltei dos meus braços e começamos a pegar as malas, indo para casa. Queríamos passar alguns dias totalmente isolados do mundo. Deixar nossas mentes livres, nem que fosse por pouco tempo.


Se fosse possível para mim...


Joguei as malas no quarto e comecei a me despir, louco para tomar uma ducha.

Fui para o banheiro e me abandonei no chuveiro, deixando a água levar tudo o que eu sentia no momento. Após alguns instantes, percebi que água levava algumas lágrimas que teimavam em invadir o meu rosto.


Levantei a cabeça, para que elas fossem mais depressa.


Alguém abriu o box, mas nem me importei  quem era. Senti duas mãos em minha cintura, e meu corpo foi puxado para frente. Uma barba fina encostou em minha bochecha...


– Dessa vez, você não precisa me explicar nada... Eu já sei de tudo.


Joguei meu corpo sobre o dele. Loui me agarrou,


Acho que queria o meu sentimento também para ele.


– Nunca me esconda uma dor. – sussurrou, entre meus fios ralos de cabelo.


Loui levantou minha cabeça com ambas as mãos e me beijou. Como sempre, tentando tomar minhas dores somente para ele.


****


Quero essa inspiração criativa para sempre! :D


4 comentários:

  1. Olha, eu admiro profundamente quem escreve em 1° pessoa, porque eu tenho dificuldade em fazê-lo e por alguma razão que ainda não defini, gostei do Louis, me identifiquei com ele... Em parte por ser teimoso e também por ser um tanto reservado, mas eu sei que tem algo mais que vai além da minha compreensão.
    Adorei seu estilo de escrita.
    Achei bem legal você postar aqui no blog, eu virei com prazer vez ou outra apreciar a sua inspiração.

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    1. Oi Mel! :D

      Obrigada! :) Eu gosto bastante de escrever em 1ª pessoa, tento me incorporar no personagem, imaginando suas reações... Sentimentos.
      Que bom que gostou do Loui! Sabe, tb tenho certo apreço por ele, e me vejo um pouco nesse personagem, não na teimosia, mas por querer sempre guardar tudo só para mim...
      Os contos no seu Yaoi Tales são muito inspiradores, Mel.Essa greve no meu curso está sendo um prato cheio e aproveito para ler fanfic's (universidades sugam o seu tempo D:) Mas, quando voltar vou me rebolar para arranjar um tempinho e ir lá! ♥

      Muito obrigada pela visita e elogios! Abraço! :*

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  2. Eu me dou melhor escrevendo em 3° pessoa, porque quando tento escrever em 1° acabo muito focada num personagem somente... Eu gosto de imaginar e escrever sobre o sentimento de todos os personagens de forma ampla.

    É assim mesmo, cada autor com seu estilo... né?
    Obrigada! Fico feliz em saber que gosta dos contos do blog, esse tipo de incentivo é muito importante para nós.

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    1. Verdade, cada autor com sua mania ♥ hahaha
      Por nada, Mel! Quando encontrei o blog de vocês fiquei bem feliz. São contos bem feitos, recheados de yaoi, muito sexy *-* tudo em um só lugar! hehe :*

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desculpe, querida

desculpe, querida se minhas palavras são incontidas se meu toque te abomina se o meu sorriso e o meu corpo não são o suficient...