quinta-feira, 2 de julho de 2015

Onde vamos parar?




Enfrentamos tempos difíceis... Muito difíceis.

Antigamente, eu não tinha muito interesse em questões sociais. Acredito que, quando se tem 14, 15 anos, quase nunca nos importamos com isso, pois os hormônios falam mais alto... Eu me importava com meu mundinho e dane-se o resto. Isso deve ser comum aqui no Brasil (quem sabe no resto do mundo?), não vejo muitos adolescentes dessa idade questionarem sobre o mundo e a sociedade onde vivem... 

Vou fazer uma confissão, parece besta, mas valeu e muito. No final de 2012, quando eu ainda tinha 15 anos de idade, na flor da adolescência, comecei a assistir Yaoi - animes que retratam relações homossexuais homem x homem. Eu me apaixonei por esse gênero e, preservo essa paixão até hoje. Curtia milhares de páginas, conheci pessoas que também gostam e adentrei de cabeça em tudo sobre isso. No inicio, eu não sabia muita coisa sobre homossexualidade, mas gostava e assistia/lia (Muito!!).

Vi o preconceito dos próprios fãs de anime: "anime de v*ado", "é errado, pois na bíblia... ", "ridiculo dois homens se *****". Isso me irritava ao extremo e não entendia muito bem o porquê tanto ódio. Porém, com o passar do tempo e convivendo entre fãs do gênero, passei a entender um pouco mais.  É meio óbvio que vem do preconceito contra os gays, mas eu não tinha ideia da dimensão disso tudo. Muitos rechaçam e diminuem o gênero. Já vi páginas de yaoi serem denunciadas e excluídas do facebook, comentários maldosos em post's yaois e etc etc's. Passei a pesquisar e me inteirar mais sobre a questão. Claro que, muitos os animes/mangás yaoi não retratam muito do meio REAL... Alguns são recheados de estereótipos, outros são heteronormativos demais, entretanto, entrar nesse meio, foi importante para abrir meus olhinhos adolescentes.

Enfim, foi a partir daí que eu comecei a me interessar em questões sociais. Comecei a enxergar não só as injustiças contra LGBT'S, mas também Negros, Mulheres e todas esses grupos que ainda sofrem com a opressão.  E eu vejo que hoje, o país está em uma situação extremamente delicada. Junto a economia, temos a democracia, o respeito, tolerância e muitos outros pontos chaves para o progresso desse país indo para o ralo! Estamos vivenciando um período de trevas, que ainda nem começou direito. As pessoas estão ensandecidas e parecem que não sabem muito bem para onde caminhar. Acusam um, digladiam-se com outro e todos acabam no mesmo "saco". 

Cada vez mais usam e abusam da falta de informação e discernimento do povo. Transformaram a liberdade de expressão em "liberdade de opressão". Vemos pessoas defendendo a ditadura, "cristofobia", violência à minorias e pessoas que lutam pelos direitos humanos, e tantos outros absurdos que prefiro nem citar. As redes sociais viraram campos de batalha. Como eu tenho a infame curiosidade de ler comentários de notícias, fico horrorizada. Não sabemos muito bem qual será o destino desse país, eu vejo como um tempo de transição e, as andanças não parecem muito boas. O conservadorismo acendeu sua chama adormecida e quer tomar conta de tudo. É difícil. Muito difícil. 

Esses dias vimos a moça crucificada na Parada LGBT, rechaçada por expressar um apelo artisticamente, a maioria nem sequer tentou entender. A garota de onze anos apedrejada, o agressor afirma que ela "queimaria no inferno" - por que será? Religiões afro-brasileira nem são demonizadas, né?; o adesivo de carros exibindo uma montagem da presidente do Brasil de pernas arreganhadas, pronta para ser penetrada - desrespeitoso, machista e, enfim... foi aplaudido.Ela é culpada de tudo mesmo, não é?; O congresso manobrando à sua própria maneira e com a desculpa de que está a serviço do povo... Só pode ser brincadeira!

Sou uma jovem-adulta que acabou de completar 18 anos e observa tudo isso com um aperto no peito. Tenho amigos jovens também, adultos, idosos... E todos estão muito divididos. Estou com receio de onde tudo isso vai parar.
Torço pelo meu país, porém dias mais bonitos parecem uma utopia.
Temo por todos.

2 comentários:

meio a meio

Nunca tive cara de nova, muito menos de mais velha, sempre um meio a meio... Ou uma normalidade insossa. Minhas palavras nunca ...