sexta-feira, 17 de julho de 2015

passos da cidade.



Certo dia, resolvi sair do meu ninho, e caminhar entre as ruas da cidade. Era uma tarde morna de junho... O sol a despontar, fraco, como se não quisesse aparecer nos céus.

Andei por ruas e esquinas, a ver passos apressados e rostos suados. Não defini um destino, só queria estar entre gente; E esquecer as insanidades da minha mente.Vi doidos correndo entre carros, conversas sobre fulaninho ao celular, papeis de bala jogados ao chão da avenida - talvez pensassem que esta fosse um grande balde de lixo.
 Desenganado, parei em uma praça. Esperei alguns segundos, Desejando ver o sorriso das crianças, os amantes, ou aquele cheiro de pipoca com manteiga; Ou de algodão-doce. Porém, vi apenas um mendigo a passar fome no banco da praça, e presenciei um gatinho a revirar o lixo no chão - pobres de todos eles. 

As insanidades cresceram e agora eu chorava. O que está acontecendo?
Eu que sempre vivo preso entre minhas palavras - Esqueci? O problema não é só comigo?! Olhei para os lados, procurando as cidades amadas dos poetas. Mas, vi apenas celulares, propagandas e prédios de concreto. Será que eu, um pobre como eu, não senti o quanto isso é agonizante? 


Até que, quando pendi a cabeça, pronto para me derrotar, vi um pontinho vermelho próximo aos meus pés, entre as pedras que compõem o chão. Era uma pequenina flor, sabe-se lá de qual espécie. Porém, ela ousava surgir.Pronta para arrancar um sorriso de um pobre homem como eu

Sobrevivia, pequena e vívida,
Entre a palidez desta selva de pedra.

2 comentários:

  1. Da minha cidade, São Paulo, digo um inferno fascinante.
    GK

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    Respostas
    1. Moro em uma cidade menor que SP e não me acostumo. Acho que realmente não nasci para o barulho da cidade :)

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