quarta-feira, 8 de julho de 2015

Prosa do dia, 08-07-2015

 

Acabei de terminar de ler "Will & Will" e percebi que esqueci completamente de tecer alguns comentários sobre "O Perfume", então direi minhas impressões sobre os dois livros neste post. Bom, antes de falar sobre eles, digo que gostei dos dois, porém acho que "O Perfume" foi o que mais mexeu com a minha cabecinha, pois senti que algumas partes realmente eram perturbadoras. O personagem principal era perturbador. Já Will & Will, bom... Ri algumas vezes, pude ver algumas faces adolescentes que já foram ou ainda são minhas, porém fiquei um pouquinho decepcionada com o livro. Vou dizer o porquê quando falar dele. Colocarei "O Perfume" primeiro, porque... Enfim, porque foi o primeiro.

O Perfume. História de um assassino

  Patrick Süskind.




A história se passa na França, século XVIII. Jean-Baptiste Grenouille nasce entre resto de peixes, abandonado à própria sorte pela sua mãe. É encontrado por oficiais, sua mãe presa e morta por abandono. O garoto, comilão e de "narinas assustadoras" é rejeitado por amas-de-leite, padres, sobre a argumentação de que não tinha cheiro. Porém, Grenouile é acolhido junto a diversas crianças, na casa de uma senhora ríspida,  e sobrevive com a indiferença, o repúdio e muitas enfermidades, entretanto sobrevive. Apesar de não ter seu próprio cheiro, Grenouille tem uma capacidade olfativa até mesmo superior a dos cães e consegue identificar qualquer cheiro a metros de distância. E essa se torna a sua obsessão. Passava noites atrás de novos cheiros, descobrindo a cidade. Por se passar no século XVIII, vemos uma Paris suja, fedida tanto as ruas quanto as pessoas. Mesmo assim, o protagonista encontra algumas preciosidades. Por seu olfato extremamente apurado, ele consegue produzir perfumes diferentes e agradáveis e, assim, descobre um objetivo para sua vida mesquinha: produzir um perfume que fosse capaz de seduzir e dominar as pessoas.

Para entender algumas coisas, eu tive que mostrar um pouco do contexto da história... O rapaz, sem conseguir sentir seu próprio cheiro, desprovido de sentimentos e de uma frieza absurda, passa a querer "roubar" o cheiro dos outros. A "obra-prima" de Grenouille foi um perfume extraído da pele de moças virgens e belas. Não, ele não tirava a pele delas (como eu pensei que fosse rsrs); matava, enrolava-as em uma gordura e deixava que esta se encarregasse de roubar o cheiro das donzelas. Ao mesmo tempo que me senti muito fascinada pelas habilidades de Grenouille, fiquei assustada pela forma como ele era... Frio. Às vezes tinha uns surtos de "rei", "o mundo de grenouille". É estranho... Fascinante. Acho que, sim, Grenouille era um psicopata; Outra coisa que me trouxe a mesma sensação de horror vs fascínio é a forma como o autor descreve o cheiros. Parecia que, automaticamente, meu cérebro tentava reproduzir aquilo e, as descrições dos odores ruins me deixavam muito incomodada; porém Süskind fez isso com maestria!
O final do livro foi algo tão alucinante que eu achei que era algum delírio do personagem, mas não. Não era! As pessoas ficam descontroladas com o perfume do Grennouille e... Prefiro não dizer. Ele, sente-se admirado, sorrindo, a assistir a cena que é... Surreal. E o fim de Grenouille foi mais surreal ainda, porém, essas cenas deixo só pra quem ler o livro!

Deixo essa frase que.. Simplesmente, amei,
 "... as pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas." (Patrick Süskind)

Will & Will. Um nome, um destino 
John Green e David Levithan
 
O livro conta a história de dois garotos chamados William Grayson, que em determinado momento (conturbado) de suas vidas se encontram e acabam se conectando.  Bom,  cada autor escreve um Will. Green, o Will calado; Levithan, o Will depressivo. Para diferenciar os capítulos, a parte do Will de Levithan é escrita TODA [sim!] em letras minúsculas. Vi algumas possíveis explicações para isso, porém ainda acho super desnecessário.
O primeiro Will é meio indiferente a tudo e todos e segue as regras de não fale & não se importe & não se envolva - ele realmente não é de falar, porém importa-se e, por causa de Tiny, envolve-se e muito. Tem um amigo de infância chamado Tiny Cooper que é gay, tem uma lista grande de namorados, uma estatura gigante, assim como o seu ego e, no decorrer do livro, vira o protagonista - foi a minha impressão. O outro Will é um garoto gay, que é depressivo, extremamente pessimista e tem autoestima muito baixa. Esse passa um bom tempo na internet e tem um namorado virtual, chamado Isaac (e terá uma grande surpresa sobre ele!). 

Então... Saindo da experiência instigante de "O Perfume" e cheguei a experiência decepcionante que foi Will & Will. Bom, a história começa, realmente, sobre os dois Will's. Sabemos um pouco sobre a vida de cada um deles - a escola, família, amizades, amor (sic) e etc. Porém, depois que os Will's se encontram eu percebi que os autores... Tomaram outro rumo na história. Tiny, grande amigo do primeiro Will, está a planejar uma peça que é sobre... Tiny Cooper. Ele quer, a todo custo que seu amigo também participe; Will acata. Ele e o Will depressivo começam a se relacionar.... E daí em diante, tudo passa a girar torno de Tiny Cooper! Acho que essa foi a minha decepção no livro. Claro que, por meus desejos insanos de fujoshi  eu acreditava que teríamos uma certa relação entre os Will's, pensei, de verdade, que eles seriam amigos ou namorados. Criei expectativas demais. Porém, quando li resenhas, outras pessoas também destacaram a importância que os autores deram a Tiny. Alguns até simpatizaram com ele, não foi o meu caso. Era egocêntrico e sempre metia o amigo Will em confusão. No final, até que vemos que ele possuía um lado bem legal, porém não consegui gostar muito dele. Simpatizei bastante com o Will de Levithan, apesar de que encontrei fases minhas nos dois garotos. Fechados, tímidos, não falam muito. Tipicamente, eu.
Apesar de tudo, não é um livro de todo ruim. Arranca algumas risadas, dá para sentir um pouco os personagens, e o final até que é bonitinho. Mas, não coloco entre meus favoritos.


" A verdade, porém? Todo mundo tem uma. Essa é nossa maldição e nossa bênção. Essa é nossa tentativa e nosso erro e nossa coisa certa." Will & Will

Green, eu tentei. É o primeiro dele que leio, apesar de ser em parceria. Porém, não devo julgar pelo primeiro. Acho que tenho que pegar um livro só dele, e julgá-lo melhor :D 




8 comentários:

  1. Ihhhhh... Agora não sei, acabei de receber hoje em casa o Will & Will com certa expectativa.(O livro está lacrado bem aqui ao lado do mouse) Isso porque eu li "Dois garotos se beijando" do David Levithan e gostei da escrita dele... Já vi que vou acabar procrastinando para ler Will & Will... :p

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    1. Que coincidência, sério! hahahaha Não procrastina, plz! ahusha A leitura dele é bem fácil, li ele em uma semana.. É engraçadinho, mas não curti tanto... Talvez você não tenha a mesma sensação que eu, vi muitas resenhas diferentes sobre Will & Will.. Era tipo "ame ou odeie" ;

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    2. Ontem eu comecei a ler... Começa com a escrita do John Green, certo? Mas, eu sei lá... Me irrita um pouco o modo como ele se refere o Tiny, faz parecer que ser gay é uma coisa suja e promíscua. (quase sinto um preconceito camuflado na escrita)...

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    3. Isso! Eu também me incomodei no inicio como o primeiro Will falava sobre Tiny, mas percebi que ele vai melhorando ao longo da narrativa. Porém, para falar a verdade, eu achei a forma como o personagem Tiny foi construido muito estereotipada.

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  2. Ah, e você gostou mais do Will do Levithan, né?
    Entendo, mesmo que ainda não tenha lido.
    O David Levithan escreve com um sentimento bem real...

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    1. O Will dele era tão intenso e tudo que acontece com ele... Nossa.
      Quero pegar outro livro do Levithan para ler...

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    2. Já leu Dois garotos se beijando do Levithan? Caso leia, ou se já leu... Depois faça uma resenha, gostaria de saber sua opinião.

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    3. Não li, Mel... Mas, só pelo titulo ja me interessei hehe ⌒.⌒

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Chamam meu nome?

Entendo aquele olhar Chamam meu nome lá fora? Entendo aquele toque Chamam meu nome lá fora? Não há futuro para mim aqui dentro Não...