domingo, 30 de agosto de 2015

Fernando Pessoa: autopsicografia




O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.




Fernando Pessoa






sábado, 29 de agosto de 2015

lua sangrenta.


Eu não odeio
Não amo
Não sinto
Não quero!
Sangue suam pelas veias,
enchem os meus olhos!
Sinto o que nego, espanto demais!
As pessoas me chamam
Eu me afasto
E culpo
A mim, você e tudo...!
Tenho vontades insanas
Quero morrer e te levo comigo.
Não é a noite,
Mas a beleza ainda esta aqui
E eu quero destruí-la ate a ultima gota
Não amo a feiura, nem a tristeza
muito menos a beleza!
E não amo ninguém.
Pois, deuses não amam ninguém.
Vivo entre as nuvens
E tu clamas por mim
Vou me ferir e te levo comigo!
Não sei quem é você,
Estou imerso em mim mesmo
E minha loucura fascina
Culpo a todos por isso e rasgo o mundo!
DEUSES NÃO AMAM NINGUÉM!


não me perdoo pela violência, mas era o meu momento. 
em certas loucuras, a poesia me doma.


terça-feira, 25 de agosto de 2015

.Dizeres!

 
Disseram-me que sou quieto...
Quase não abro a boca
meus lábios apenas soltam alguns filetes.
Disseram-me que escuto bem,
tenho firmeza, sou menino já adulto aos 17
e vou conseguir tudo desejado.
Já me senti grande e me alimentei destas gotas.
Era gostoso, parecia demasiado sincero.
Esforcei-me! Sim, sou assim. Passei, sorri.
E um brilho cego insurge em meus olhos!
É menino de ouro. Beleza!
Hoje, ainda sou ouvinte
Mas, rasgo palavras, mesmo que não queiram
(antes parecia tão fácil)
Já não tenho o mesmo sorriso de antes,
O brilho nos olhos já se apagaram
E eu não me arrependo disso.
Permaneço reservado,
Sem muito alarde, guardo alguns segredos.
As palavras de antes não me sustentam mais,
Não sou de ouro,
Nem tudo que desejo virá...
E talvez, ainda não seja adulto.
Tenho birras aqui dentro, deixem-me em paz!
Agora, sabem quem sou eu,
E eu, já me dito quem eu sou.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

.seio

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

filha da noite.



meu dia se concebe à noite
minha canção favorita vem das estrelas
o sonho mais bonito compõe a lua
meus olhos chamam a escuridão. 

a solitude da noite, aninha, a menina...



prosa do dia 20/08/2015



Ontem aconteceu um fato bem interessante... E que eu adorei aproveitar. 
Há algum tempo ganhei coragem para mostrar a um amigo meu algumas poesias que construí. Claro, que não mandei muita coisa, umas cinco ou seis poesias no máximo, e foram poesias simples, não muito desnudas.. Porém, pra mim já foi um grande avanço. Conversamos bastante pelo whatsapp e desde que comecei a mostrar minhas criações para ele, passamos a falar mais sobre poesias e ele também me mostrou alguns de seus escritos. Porém, ontem aconteceu algo meio que... Inusitado. Ele me mandou uma frase, e eu o questionei se era de algum texto seu... E antes que me respondesse, mandei uma poesia minha. E, então, ele me responde explicando que era apenas uma frase... Disse que não tinha motivos para escrever textos e, de forma poética, descreveu os "porquês". E então, eu o respondi:
- Por isso mesmo, faça textos. Sobre cada dor, cada lágrima, por tudo e todos! Escreva! Em cada verso ponha sua raiva, seu amor... Ah! Pode ser uma cura! Veja bem, sinta, sinta o mundo mesmo que ele seja mal. Devolva tudo o que te mata.... Destrói. Por tudo.. Por todos, ou apenas pra você mesmo... Escreva!
Seguiu, dizendo que inspiramos um ao outro, para assim 'tapear' a tristeza. E, realmente, é bom para a alma. Mandou-me algo sobre viver, e busca da felicidade... E, então, retruquei:
- A felicidade... Essa eu acho que não existe! Não adianta procurar, ela não aparece em nenhum lugar! Quem sabe se o humano nasceu pra se acostumar a dor! Assim, para chegar à morte! Talvez, ela seja a detentora da tal felicidade. Sem sofrer, sem mais o mundo, só o estranho escuro. Você e sua alma.
Depois começamos a falar sobre existência da alma e a conversa fluiu para outros rumos... rsrsrs Bom, sei que não foi muito, até porque uma hora esgotaríamos. Mas, achei interessante refletir junto... Em uma conversa diferente do usual. Gostaria de ter mais espaço para conversar dessa forma com outras pessoas , assim como compartilhar o que escrevo a conhecidos também. Certa vez, uma pessoa muito próxima a mim descobriu alguns trechos e abriu a boca para o mundo... Fiquei tão triste, e senti raiva, muita raiva! Geralmente, não me sinto à vontade e, esse meu amigo, quando nos encontramos entre colegas, ele nem cita sobre as poesias, e eu adoro isso. Acho que ele me entende, e eu nunca pedi silêncio. No meu curso há alguns escritores, inclusive, pessoas da minha turma, porém não tenho proximidade e gosto de me manter discreta no mundo real. Minhas poesias falam muito, muito de mim. E aqui no blog elas têm uma casa, um esconderijo mais do que aberto...Pessoas próximas não o conhecem e, por minha conta, não saberão... 


Teoricamente, eu deveria ter aulas esta semana, mas as forças malignas que querem impedir os meus estudos agem novamente e estou aqui... Em casa. Surgiram problemas no transporte coletivo da cidade, e enfim... A frota não está em circulação;
Esse meu ano segue terrível, sinceramente. Isso reflete muito no que eu escrevo. Às vezes me sinto inútil, incapacitada. A todo momento surge um problema e parece algum tipo de testagem "Você vai sobreviver a isso tudo?" Tento reformular meus pensamentos, e encarar como uma forma de amadurecimento, porém é cabuloso. Estressa, cansa, aborrece demais! Às vezes dá vontade de desistir, mas tenho que me manter de pé, pelo menos por enquanto.  =/



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

.enquanto eu espero...


Eu sei o quanto cansa
Penso, às vezes que deveria ir embora
para algum lugar onde não pudesse mais Ver,
           Sentir; Sonhar
Mas, ainda me querem aqui 
Não posso ser tão egoísta,
Deixo meu intimo desejo
           (que também me traz medo)
Bem no fundo.
Todos os dias levanto-me pensando nas horas a correr
Nada feito, não me engano
Arrasto meus passos pelas ruas,
na certeza infame que lá vem mais tropeços.
E que ainda sou jovem, devo aprender....
E então eu espero.
          Choro
          Não fujo,
Quero ter a dureza de seguir, mas
Volto meu olhar para dentro,
E vejo o sangue a esfriar...
          (Pedindo liberdade)
Não sei se fico,
Faleço
Ou jogo tudo ao precipício e, novamente,
Espero o desfecho...
O tempo nos odeia.


.branco



parecia dia,
há algo a ferir minhas pálpebras
e um vento como brisa
lava o ambiente e eleva-me
mas meu corpo não se move,
os olhos continuam fechados e
permaneço aqui, entre flores e monstros
tento, e quando consigo
meus olhos estão turvos,
finalmente percebo:
o mundo me desertou, 
vejo-me entre espaços em branco.

não há mais caminhos para mim.

sábado, 15 de agosto de 2015

.rotina



hoje ele voltou à rotina
o sorriso a arder em seus lábios
o corpo pede "vá, se jogue, há aquele tudo lá fora
escute, escute o que têm a te dizer"
e ele foi, de ouvidos abertos,
ainda a sorrir, mas a cada passo,
menos confiante
sentou-se: ouviu, ouviu
gargalhou, divertiu-se
(era incrível ver o outro)
até que, seu mundinho não mais se apegou
e o sorriso, desfez-se como pequena chama
após o sopro.
aqueles imensos mundos de sorrisos feitos,
chocavam, incomodam!
gritava - por todos os deuses -
tirem-me daqui!
pediu para ir embora e foi,
ah! era alívio.
partiu à rua, na cidade brilhante,
turbulenta,
a noite... não parecia mais tão harmônica.
na cama, abraçou seu próprio corpo,
os mundos lá fora,
não assemelham-se ao seu,
quer esconder, disse:
"não vou mais voltar, não é meu lugar."
dormiu, e o peso do sono, não lhe permitiu
lembrar dos sonhos.
amanhã era só mais um dia,
agora, um sorriso amarelo jogado ao rosto
de peito aberto, ele sangra
chora
vendo nos olhos de algum outro
o mesmo sangue
que derrama.
 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

prosa do dia 12.08.2015



Mudei um pouco a aura do blog, pois estou me sentindo um pouco mais zen... E o azul não me contemplava mais. :/

As aulas finalmente (re)começaram, porém os problemas continuam.. Enfim, não quero vir falar apenas de problemas do meu curso... Vou me alongar muito e já falei sobre isso antes. 
Foi bom ver meus colegas novamente, quase 3 meses depois... Sinto que minha turma tem uma conexão boa e isso é ótimo... As aulas ontem começaram como se tudo fosse do "0" e acho isso bom. Afinal, alguns professores mudaram, outros saíram.. Então a metodologia será bem diferente. Eu nem deveria fazer este post no momento, pois há alguns assuntos de biologia que preciso estudar... Porém, não consigo me desvincular do meu querido blog... O ultimo post já estava pronto, só adicionei a imagem e publiquei; Fiz o texto pelo celular e tenho sérios problemas com postagens 'mobile', mas pude ir para o pc ontem e publicar... 

Sobre o meu projeto, semana passada me despedi, com uma pontada enorme no coração, mas universidade é mais importante, compreendo isso. Faltam ainda uns 15-20 capítulos (se eu não reduzir a historia), porem provavelmente só vou retomar daqui há alguns meses.... Saudades sem fim =( Provavelmente, o blog ficará paradinho também, apesar de que eu tenho absoluta certeza que vou burlar meu tempo para postar no Golden e visitar os blogs que sigo... Nem que seja nos sábados e domingos. É bom ter um momentinho só para mim e desabar. 
Às vezes me sinto tão indecisa e, principalmente, insegura em tantas coisas e me sinto desconfortável por dentro. Tenho excessos de culpa e isso me deixa louca... Preciso de tudo certo, calculado e ter a certeza de que está tudo nos eixos. O ambiente onde estou inserida agora é cheio de incertezas e não sei como lidar, na verdade, é horrível lidar. Uma hr dizem que não vai ter aula, outra sim... Uma hr vai acontecer isso, outra aquilo e eu, me vejo em um nicho de possibilidades e o desconforto me domina... Como me acostumar?... Acho que vou levar e esperar o desfecho. Fazer o que eu puder. 
 


terça-feira, 11 de agosto de 2015

desnude.


À luz da lua,
Eu me deitei sobre a areia
Cada verso perpassando o meu corpo,
Acaricia estes poros
Estou nu.
E você ali, acima das rochas que brigam com o mar
Vislumbra-me
Em uma completude que insisto guardar
Apenas a lua era minha confidente
E, em cada verso,
descobre-me como flashes
Sabe agora de tudo que se choca dentro de mim.
Prometa, menino:
Permanecerá calado quando a lua se por.
E eu poderia sorrir e te tocar
Como se o momento só pertencesse ao luar.

 

domingo, 9 de agosto de 2015

A menina e o presente.





E hoje, então, veio o dia
Mas tua indiferença
Não me deixa mais perto
Esfriei-me tanto,
Que hoje queimo, de dentro para fora
E, depois,
De tão perto...
Desconheço-te.
Hoje eu não chorei
Nem ao menos te olhei 
Porém, tuas palavras me soaram mudas
Ensossas
Jogue-as fora, é mais bonito.
Vou-me embora,
Não sou herdeira do teu eterno amor
Nem no teu sorriso, pude me deleitar
Porém, deixo-te um presente
Abra-o sem medo
Assim que desatar o laço de fita vermelha
verás que, quando eu for,
levo nada mais do que eu mesma.


** indiferente
** desconhecido



sexta-feira, 7 de agosto de 2015

linhas, cordas e nós.




Vejo as histórias jogadas ao léu
Não quero mais olhar estes borrões
Entristecem-me,
matam-me, aqui.
não olhe para trás! está tudo em branco
siga, em frente,
mas continua a ser tudo tão turvo
parece que a vida me quer cambaleante,
andando sobre cordas - a ponto de um desastre.
os nós de trás ainda tentam me agarrar, 
continue -  tudo está em branco.
não olhe para trás!
agora, estou no meio,
temo os começos,
penso e estremeço no fim...



.chamas eternas




Vejo chamas a cada ponto
O céu brilha, lumes tons de ciano
Em transe,
Mal sei que do meu corpo, 
O fogo Assoma
A luz da lua foge ao meu encalço
Ao fundo, a musica espera,
Seus cânticos são tão gentis...
O anjo, observa-me a sorrir:
És um sádico?
E eu consumo-me
Em chamas.
Nem a lua
Nem a musica
Nem o anjo...
podem aplacar a minha loucura:
Compactuam com ela.

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

.super-heroi



Sonhos de infância
Vislumbres de superpoderes
Terras distantes,
Gente grande de dia, heróis à noite.
Sonhos de infância -  nunca morrem
Já quis bola de cristal
Varinha de condão
E soltar raios pelas mãos
Ser super-herói quando bem quisesse
Voar sobre as cidades
Quebrar os montes,
E sair, triunfante,
De toda batalha - dia após dia.
Viajamos nestas peripécias
Seja porque queremos manipular
 (O Futuro)
Saber de tudo
Deter, sem medo,
Os monstros que nos afligem
Naquela mania tão nossa
De sermos possuidores de tudo

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Prosa do dia 04/08/2015



Sabe, quando você tem medo de algo e sabe que está muito próximo de acontecer?  Pois bem, é o que sinto nesse momento.
Disse há alguns dias que a greve acabaria, porém ainda estamos aqui, esperando o fim. Na quinta-feira, se o governo assinar o acordo com os professores, a greve acaba e eu sinto que isso vai acontecer. Porém, estou muito apreensiva com o pós-greve. Ontem à tarde fui na Assembleia do meu curso e tudo que ouvi foram problemas e polêmicas. Falei aqui que meu curso entrou em greve no mês de março e, salvo engano, só voltamos no final de abril... Entretanto, no inicio do mesmo mês de maio, os professores das quatro universidades estaduais entraram em greve e meu curso teve, aproximadamente, duas semanas de aula. Sim, não tivemos quase nenhum conteúdo, nem muito contato com os professores em sala, sem contar provas e trabalhos 'apresentados' ... Nenhum. Não tivemos chances. 
Meu curso tem problemas, a universidade está coberta de problemas e eu temo muito tudo isso. Também temo o retorno, se vamos conseguir prosseguir; se prosseguirmos, como vou lidar com tanta coisa em um tempo tão curto... Conteúdos despejados, trabalhos e provas aos trancos e barrancos, provavelmente, será um caos! Durante a greve, aproveitei os eventos, li alguns livros, adiantei duas atividades ( sim, somente duas atividades que conseguiram passar) porém, é difícil sem orientação. Alguns assuntos, por exemplo, não consegui entender e provavelmente, com a ajuda de um professor seria bem melhor. Agora, depois de tudo isso, não sei se vou aprender realmente...
No inicio do ano, eu projetei tantas, tantas coisas para 2015. É meu primeiro semestre na universidade... Passar no vestibular sempre é uma felicidade! Ainda mais eu, jurava que não passaria. Planejei fazer muito esforço, jogar-me de cabeça na universidade e crescer. Quando tivemos a semana de integração fiquei tão feliz, era o começo. Fui bem recebida, senti-me uma caloura importante, não um "bicho"...Mas, poucos dias depois recebemos a noticia da possível demissão de uma professora substituta e tudo começou. Sinceramente, senti que estava meio perdida. Participei de assembleias, assisti discussões sem entender muito e abstive-me de participar de várias coisas. Às vezes, até me arrependo de não ter participado de algumas atividades que aconteceram durante a greve, mas hoje já me acostumei com esse arrependimento. 
Talvez, semana que vem já terei aulas e até lá espero o desenrolar de tudo isso. Sei o quanto estou com medo, porém sei que preciso passar pelo momento, não estarei tão sozinha. Vou me esforçar, fazer o que eu puder... Se não conseguir, enfim... Pelo menos, tentei.

 

sábado, 1 de agosto de 2015

'ela.



'ela me entende
sempre está aqui
e me segura.
'ela é tudo que eu preciso ter,
é inteira, não se controla e
esbraveja, para si mesma, tudo o que sente..
'ela odeia barulho,
assim como odeia o silêncio da mente
gosta de se fazer presente.
'ela ri de suas loucuras,
sente muito mais do que deveria
e, quando pode, chora
mesmo que não queira.
'ela pensa demais,
esconde-se demais
não fala - às vezes sufoca
Confusa,
Parece... um grande... Talvez?
'ela é mais do que eu.


A menina e o desconhecido.



E quando eu me deparo com estes teus olhos
Os meus se desmancham - em raiva, tristeza?
Não sei mais explicar tudo o que me inunda.
Meus lábios, quebrados de tamanha secura,
Fecham-se: eu engulo todos estes venenos.
Por que continuas tão impassível?
Cresci.. Sou quase mulher,
E nunca conheci o teu sorriso.
E nunca fui "tua menina".
Calada; sofro.
Deveria ser aquele que me protege
Acalenta-me, ama-me,
Mas, continua sentado aí
Fingindo escutar os sons da cidade
E ser aquele que nunca projetou ser
Às vezes, eu penso...
Preferia estar a quilômetros de ti
Do que te ver aqui e você fingir não me ver...
Nem conhecer.



estranho vermelho

há um toque de intenso vermelho que consome a minha pele o vermelho das tuas unhas a cor rubra que pinta os teus lábios...