quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

.A menina e a chuva



Ia a tarde chuvosa
Invadindo os ares de verão
A menina na varanda
Os olhos sob efeito do cinza ao horizonte.
Aqueles lumes vermelhos e azuis 
Trouxeram mais uma volta
Mas, ela continua com seus mesmos jeitos
Essa menina! Ah! tão quieta
Ela tão mal sai de si
Tão mal sente, sofre
Entre os pontos da cidade
Ela enxerga além,
Mas nada pode prever

Seu peito aperta,
Lá no fundo há alguém que chora
O cheiro seco da chuva não a incomoda
E mistura-se às suas ânsias
Que ela tanto esconde.
Disseram: Menina, não sabes que é ruim? 
Veja menos, é melhor!
E ela encolhe, sem querer chorar.
Entra - fecha janelas, portas
Esvaem os versos
Abertos somente aos teus olhos, menina
Tuas palavras podem viver em paz.
Sabe, quem mais vai querer ler teu lamento?
Dizem que a vida é maior
Que não vale chorar, 
Estás louca, disseram.
E ela pensa...
Qual o mal em desenrolar dores?
Ajustar um emaranhado de fios e nós?
Tornam-se forças... Talvez, algum dia.


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