segunda-feira, 30 de maio de 2016

Novos rostos, descobertas...



Hoje eu vi rostos bonitos a sorrir
Hoje eu me descubro mais do que ontem
Nestes sorrisos, nesta noite fria
De lua crescente.
Aqui estou eu,
Como homem abandonado ao relento
Estou cada vez mais desnudo
Seja nos risos, nas palavras ditas;
Páginas soltas
Nas minhas caminhadas,
 Entre todos estes seres alegres...
Descubro-me cada vez mais, 
Desço entre as ruas, perco-me entre as vielas escuras
Os risos estão tão longe
Vejo novos rostos, os olhos voltados para baixo
E continuo a me encontrar
Mas permaneço... Calado.
E eu... 
Assim, indiferente.
Não sei ainda como tanto escrevo
O que tanto escrevo?
Tudo vem...
Assim que eu me sento
As folhas tão brancas
Estou defronte a um grande espelho 
Amanhã será o mesmo que hoje
"... Descubro-me mais do que ontem."
Serão novos rostos
As mesmas ruelas,
Tantas descobertas...


sábado, 28 de maio de 2016

Culpa...




Não importa tanto dizer o contrário. Sempre é o mesmo discurso:
"...Eu deveria ter feito isso... ";
"Por que eu não fiz assim?..";
"Estou perdendo tempo, claro".
Ocupo minha mente com tanto pensamentos. Excessivos. Desconcertantes, até mesmo, abusivos.
 Eu sempre tenho culpa. Sempre estou errada.
Nada dá certo: Por minha culpa.
Mas eu paro e penso: Tudo, realmente, depende de mim? Há o meu querer, disso, sei muito bem. 
Mas o mundo possui suas leis. Regras. E, nem tudo proverá do meu querer.
Então, para quê, sempre me culpar?
Eu sei quais são os erros. E, também posso, dizer o que é realmente meu.
Mas, não, ainda insisto: Tudo é culpa minha.

Brigo, brigo comigo mesma. Como se os eus que co-existem aqui dentro se digladiassem.
Um diz que "sim", outro "não", ouço alguns "talvez." Um ciclo, cíclico, viciante, redondo, zonzo.

Até que eu canso. 
Nada pode ser mais destrutivo do que nossa própria mente.


quarta-feira, 25 de maio de 2016

Segredos




Palavras ditas apenas no silêncio 
No silêncio da minha boca
Dos meus pensamentos
Conturbados.
A minha mente
Escandalosa.
Certas palavras
Não podem ser descobertas pelos outros
Não podem
Jamais
Ser descobertas pela própria consciência
Há segredos tão indiscretos
Que só vivem aí dentro
São distintos 
Segredos
Tão cheios de mistérios
Que apenas a morte pode descobri-los


domingo, 22 de maio de 2016

Sem mais definições.

     

     Em tempos onde palavras como "religião", "deus" e, principalmente "demônio" são bradadas aos sete ventos, eu me sinto meio perdida nesse mundo. Não sei quantos post's eu já produzi aqui no blog  falando meus pensamentos acerca de deus; e, com certeza, hoje minhas concepções mudaram e muito. Na verdade, sempre é bom mudar os horizontes.

      Eu nasci em uma família católica e sempre estive conectava à essa religião.  Fui batizada ainda bebê, fiz catequese, rezava todas as noites, participava de procissões, 'tentava' ler a bíblia e aos domingos ia à igreja. Assim, até os meus treze anos de idade. Eu sempre fiz tudo isso com aquele "fator" de obrigação  e não pelo prazer, a alegria em participar, ler e orar.  Nunca me senti integrante da igreja, das procissões, "nem senti o espírito santo em mim" ou o "amor de deus ser o motor da minha vida". Aos poucos afastei-me de tudo aquilo; começou pela leitura da bíblia, depois a igreja, as procissões e, só por último, as orações. Senti-me culpada, pois sempre diziam que quem não vai à igreja é um herege, e eu tinha muito medo disso, já que acreditava em inferno e castigos divinos.

    Quando comecei a pesquisar um pouco mais na internet, desbravar ideias de outras religiões (também passei por experiências), ler sobre novas 'concepções' de deus, percebi que eu não estava fazendo nada de errado e, na verdade, ainda tinha muita conexão às concepções da minha antiga religião; Aprendi muita coisa em pesquisas e alguns livros que tive contato. Durante essas pesquisas e estudos, descobri deísmo, agnosticismo, pandeismo, panteísmo e várias outras "filosofias" sobre Deus e o universo. Até me identifiquei com o deísmo. Porém, hoje eu não me defino em mais nada. Não consigo encontrar uma inteligência superior, também não sinto algo agir sobre mim. Só sigo minha vida como acredito que devo seguir, sem me preocupar se tem 'alguém' o tempo inteiro me observando e que vai me punir ou agraciar por 'agir de tal forma'. 

      Às vezes, em alguns momentos de conversa, me perguntam sobre isso... Muitas pessoas acreditam que eu sou evangélica, por conta daquela representação social do evangélico como o reservado, que não gosta de ir à festas, de beber e etc. Eu sou assim e as pessoas acabam por tirar conclusões erradas sobre mim. Porém, por inúmeros motivos, eu nunca seria evangélica. Quando eu tento explicar meus pensamentos, muitas vezes não sou compreendida. Na universidade, até que encontrei algumas pessoas que me entenderam, mas em outros âmbitos da minha vida social é bem difícil. As pessoas não conseguem absorver direito a ideia de não pertencer a uma religião. Acreditam que você não tem nada a se agarrar e vai sucumbir ao desespero. Acredito que temos essa necessidade de se sentir protegido e amparado (Freud explica isso... rsrsrs), a religião pode exercer essa função, mas temos muitas outras coisas as quais podemos nos "agarrar". A arte, o amor dos amigos e a família, em nós mesmos. Cada um escolhe o que lhe satisfizer melhor.

     Não me declaro ateísta, até porque dizer que deus ou deuses existem ou não, na minha opinião, é impossível. Daqui a algum tempo eu, talvez, mudarei meus pensamentos. Afinal, ainda tenho muito o que ver, ouvir e descobrir. 



sexta-feira, 20 de maio de 2016

Onde Ele está?



Eu tento chamar por ele
Mas ele parece não me ver
Dizem que está nos céus
Nas terras
Em todos os horizontes que podemos ver
Está dentro de nós?
Mas..Como? 
Eu não o vejo.
Não o sinto
Eu juro, tentei.
Tentei te encontrar
Sentir em toda força que atribuem a você
Mas deve estar tão além do meu eu
Que desisti de te procurar.
Não quero saber sobre palavras de morte
Nem um pouco mais sobre este além-vida
O presente
O passado
O futuro fazem-se aqui
Procurei-te, tanto! Desisti, sim!
Amanhã, talvez, consiga te encontrar...
Mas, antes... Sabias que meus destinos...
Eu mesmo posso edificar.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Prosa do dia 18/05/2016



Depois de meses, finalmente venho dar algumas palavrinhas por aqui.
Na verdade, não tenho muito a dizer. Esses últimos meses foram bastante ocupados por conta da universidade e eu, realmente, senti muitas saudades do blog. Tentei continuar com algumas postagens, entretanto, o blog ficou um pouco parado e, logo em meu mês, fiz poucas postagens. Terei praticamente um mês de "férias", mas vou aproveitar o tempo para estudar algumas coisas bem necessárias. Estou gostando do curso, porém ainda não sei muito bem se foi a escolha certa. Gosto do pessoal, dos assuntos estudados, dos professores, mas pretendo prosseguir para ver no que dá. Não tenho outros planos mesmo.
Vou tentar postar mais nessas férias, não assiduamente, mas contato que eu consiga suprir meus sentimentos, as saudades. Como disse anteriormente, não tenho muito a dizer. Minha vida não continua a mesma, claro, porém não mudou muita coisa... Exponho o máximo nas poesias. Elas surgem em certos momentos e me abocanham... 

Obrigada a todos que seguem o blog :)
Sempre & Sempre, muito obrigada! :) 

Transição


O que tenho agora
As minhas palavras
Tão mais verdadeiras
Carregadas - sim, da minha alma
banhada das belezas do meu sangue
Vão de encontro a todos os pontos
Que antes me regiam
Dizem: Crescemos, enfraquecemos!
Pois "paz e tormenta" se equilibram
E eu - menina frágil, cheia de toques
Torno-me mais forte
Sinto todas as estranhas e novas sensações
No que há de mais intenso em minha pele
E eu cresço!
Desço!
E já me conheço.


Herberto Helder - tríptico



Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas de melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu ascético escuro e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a minha casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço -
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave - qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
Que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.



Herberto Helder

terça-feira, 17 de maio de 2016

Pétalas



Estou em meio a navalhas
Cortes e sangue por todos os lados
São meus, são seus
Nossos líquidos rubros se misturam
E sentem as mesmas dores
São linhas de cortes finas
Que me deixam paralisada
Girando o corpo para todo os lados
Sem saber exatamente o porquê de tanta violência
Eu não choro
Não me desespero
Apenas espero - um pouco impaciente
De olhos abertos - também ensanguentados
Deixando-se tombar para o lado...
Enquanto espero todo o sangue se esvair..

Estas pétalas rubras nunca foram tão tristes.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Felicitações



Chegou o doze de maio
Um pouco de frio para minha pele
Abraços quentes que podem me aquecer.. 
Começa outro ciclo 

Estou um pouco mais distante
Mas agradeço a Ela por me manter de pé

Eu a descobri
Eu a criei
E a ela eu agradeço.

Parabéns para mim e para vc, Moon.


domingo, 8 de maio de 2016

Contrário



Tudo ao contrário
Minha boca solta frases
Mesmo que ainda falhe
Sabe o que dizer
Tudo está muito mais claro
Agora!
Não quero mais os pontos certos
Os pontos cegos
De ontem
Quero que me vejam
Que me escutem
Quero a ponta-cabeça de ontem

Continuarei o chato menino reservado
Mas sem as palavras obedientes de antes 


Linguagem do corpo

Os olhos voltados pra cima A boca seca Os lábios trêmulos  Os dedos que se fecham Meu corpo denuncia O que a palavra não r...