domingo, 22 de maio de 2016

Sem mais definições.

     

     Em tempos onde palavras como "religião", "deus" e, principalmente "demônio" são bradadas aos sete ventos, eu me sinto meio perdida nesse mundo. Não sei quantos post's eu já produzi aqui no blog  falando meus pensamentos acerca de deus; e, com certeza, hoje minhas concepções mudaram e muito. Na verdade, sempre é bom mudar os horizontes.

      Eu nasci em uma família católica e sempre estive conectava à essa religião.  Fui batizada ainda bebê, fiz catequese, rezava todas as noites, participava de procissões, 'tentava' ler a bíblia e aos domingos ia à igreja. Assim, até os meus treze anos de idade. Eu sempre fiz tudo isso com aquele "fator" de obrigação  e não pelo prazer, a alegria em participar, ler e orar.  Nunca me senti integrante da igreja, das procissões, "nem senti o espírito santo em mim" ou o "amor de deus ser o motor da minha vida". Aos poucos afastei-me de tudo aquilo; começou pela leitura da bíblia, depois a igreja, as procissões e, só por último, as orações. Senti-me culpada, pois sempre diziam que quem não vai à igreja é um herege, e eu tinha muito medo disso, já que acreditava em inferno e castigos divinos.

    Quando comecei a pesquisar um pouco mais na internet, desbravar ideias de outras religiões (também passei por experiências), ler sobre novas 'concepções' de deus, percebi que eu não estava fazendo nada de errado e, na verdade, ainda tinha muita conexão às concepções da minha antiga religião; Aprendi muita coisa em pesquisas e alguns livros que tive contato. Durante essas pesquisas e estudos, descobri deísmo, agnosticismo, pandeismo, panteísmo e várias outras "filosofias" sobre Deus e o universo. Até me identifiquei com o deísmo. Porém, hoje eu não me defino em mais nada. Não consigo encontrar uma inteligência superior, também não sinto algo agir sobre mim. Só sigo minha vida como acredito que devo seguir, sem me preocupar se tem 'alguém' o tempo inteiro me observando e que vai me punir ou agraciar por 'agir de tal forma'. 

      Às vezes, em alguns momentos de conversa, me perguntam sobre isso... Muitas pessoas acreditam que eu sou evangélica, por conta daquela representação social do evangélico como o reservado, que não gosta de ir à festas, de beber e etc. Eu sou assim e as pessoas acabam por tirar conclusões erradas sobre mim. Porém, por inúmeros motivos, eu nunca seria evangélica. Quando eu tento explicar meus pensamentos, muitas vezes não sou compreendida. Na universidade, até que encontrei algumas pessoas que me entenderam, mas em outros âmbitos da minha vida social é bem difícil. As pessoas não conseguem absorver direito a ideia de não pertencer a uma religião. Acreditam que você não tem nada a se agarrar e vai sucumbir ao desespero. Acredito que temos essa necessidade de se sentir protegido e amparado (Freud explica isso... rsrsrs), a religião pode exercer essa função, mas temos muitas outras coisas as quais podemos nos "agarrar". A arte, o amor dos amigos e a família, em nós mesmos. Cada um escolhe o que lhe satisfizer melhor.

     Não me declaro ateísta, até porque dizer que deus ou deuses existem ou não, na minha opinião, é impossível. Daqui a algum tempo eu, talvez, mudarei meus pensamentos. Afinal, ainda tenho muito o que ver, ouvir e descobrir. 



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