terça-feira, 19 de julho de 2016

Prosa do dia - 19/07/2016



[Pode ler... Mas leia por conta própria :)] Não vou falar de coisas 'boas', nem de coisas 'ruins'. Apenas de sentimentos. E eles podem ser de tudo um pouco.


     Sou timida, ansiosa, confusa e um tanto desconfiada. Envolvo-me em coisas que eu não sei se realmente quero e não definir nada do que eu quero.  Eu estudo, eu leio, eu crio poesias nas horas vagas e eu penso demais. Demais mesmo. Tanto que acabo imaginando problemas que talvez não existem ou nunca existiram, e sofro muito por isso.  Minha mente fica tão confusa, e meu emocional desmorona. Eu sei que acabo machucando pessoas que eu amo, eu preciso evitar. Eu tenho de aprender alguma maneira de melhorar isso. Minha ansiedade e medo me afetam demais, meu coração acelera... Meu humor se fecha e tudo é muito nebuloso. Eu não processo mais nada. Simplesmente parece que o mundo desabou para mim e todos têm culpa de tudo.

    Sinto uma intensa vontade de chorar quando percebo que perdi tantas oportunidades valiosas, mas sou orgulhosa demais para me desculpar comigo mesma. Então, eu digo que já passou. Não há mais o que fazer. E eu continuo “me empurrando para frente”, sempre com um pé lá atrás. Mas eu nunca esquecerei... Jamais.  Eu sei, eu me bloqueio demais. Também, eu não posso forçar gostar de coisas que não são do meu interesse, mas eu não ouso experimentar, nem me entregar de verdade a algo [como acreditava fazer antes]. Eu sempre vivi apática, indiferente. Ouvindo os outros. E, agora, tenho minhas conseqüências. Sinto tanta falta de emoções e hoje eu sei que não estou preparada para quase nada! Tanto que hoje me arrependo de não ter vivido intensamente momentos importantes, amizades que eu considerava importantes, enfim... Por medo, insegurança, apatia. E, hoje, não sei como reparar isto. Não sei mesmo... Estou começando a tentar fazer isto com pessoas próximas hoje, mas...será mesmo que consigo? As pessoas parecem tão distantes hoje. Cada um em seu quadrado, em seu lugar. Algumas pessoas hoje parecem tão superficiais... Mas não custa tentar.



     Sou uma pessoa que guarda mágoas, sem querer. Descobri isso faz pouco tempo. Eu quero treinar um novo olhar para as pessoas que já me machucaram, mas eu me lembro de tudo... de tudo... Passam-se meses, anos... E eu sempre me lembrarei de tudo. E, só agora, eu comecei a pensar em perdão, em não guardar tantos ressentimentos. Faz mal, me machuca, prejudica de muitas formas. Eu não posso “fechar a cara” para alguém só porque ela fez algo que julguei errado há algum tempo atrás. As pessoas mudam, nós precisamos de chances. Eu, sinceramente, não gostaria que alguém agisse comigo dessa forma.

    Esses últimos dias tenho pensado tanto, que quase abati o meu corpo. Certo dia, fiquei tão cansada.. Cansada de pensamentos tóxicos que me invadiam a todo o momento. Quase não consegui agir... queria ficar deitada todo o tempo. Eu gosto de trabalhar meus sentimentos, mas de forma saudável, que eu não me machuque, nem me condene o tempo inteiro. Estou escrevendo isso agora porque tive que transbordar em palavras. As poesias me acalmam demais, mas certos momentos eu preciso de um pouco mais. Tenho que sentar e refletir. Não posso ir e voltar da universidade, cheia de pensamentos me agredindo todo o tempo e, simplesmente, não tentar me acalmar de vez em quando [mesmo com sucesso quase ínfimo]. Tive vontade de ir embora, de fugir, de largar tudo, de me afundar em qualquer buraco. Mas eu não posso fugir de mim. Não posso fugir de tudo o que sinto. Já que eu sempre penso que ninguém está disposto a ouvir minhas angustias, eu escrevo. Na verdade, nem todo mundo quer ouvir sofrimentos, apesar de que isso falta hoje em dia. Isso, ouvir o outro. Eu gosto de fazer isso. Mas, como não tenho um círculo social muito grande, são poucos que me procuram para algo assim. Talvez, eu deva começar a procurá-los. Mas, talvez, eles não queiram, nem saibam como falar de si mesmos. Afinal, hoje tudo é felicidade. É beleza e sorrisos. Não quero glamourizar o sofrimento, mas certas horas é preciso discorrer sobre isso [não como eu, exageradamente,... mas um pouco não faz mal.] Afinal de contas, como eu disse anteriormente, eu sou ansiosa. E ansiosos sofrem muito com paranóias.


       Quem me vê, não diz que eu sou assim. Quem me vê, acha que eu sou uma jovem estudante que só estuda e não tem mais nada a se preocupar na vida. Com certeza, pensam que sou apenas uma menina tímida demais para se expandir, um pouco chata que só liga para seu curso e internet. Talvez não pensem que eu tenho muito que dizer.  Talvez eu não os deixe pensar assim.  Eu sei que poderia me entregar mais às pessoas, mas eu não sei direito como começar... Sinceramente, eu acho que tenho medo de relacionar demais e acabar me decepcionando. Ou... Tenho receios demais aqui dentro para começar. Eu não sei começar papo, eu não sei continuar papo, acho que estou incomodado, penso que a pessoa pode me achar sem-graça, tediosa e afins... E talvez eu seja mesmo. Por não viver muito, eu não tenho muito a dizer. Isso contribui e muito, eu sei. Não saio muito, não bebo, não gosto de ‘curtições’, baladas, resenhas, muito barulho, por-do-sol, violões, risadas e vinho para todos. Os mais jovens como eu curtem isso hoje, não é? Pois é, eu não. E, muitas vezes, eu sei que poderia me dar bem melhor se gostasse. Mas, eu, realmente, não quero me forçar a nada. Mas sofro pensando nisso.


    Eu tenho muitas outras questões a tratar... E eu posso vir falar sobre elas a qualquer momento aqui, afinal, é minha terra, meu cantinho. E eu precisava, de verdade, dissecar isso aqui. Eu disse outras vezes que não estava me sentindo muito bem nas últimas semanas e isso se confirma aqui, e muito. São muito eus, tantos eu aqui nesse espaço, parece cansativo, mas é um alivio para mim. 



2 comentários:

  1. Oi, Golden.
    É verdade que temos muitos "eus" habitando em nós.
    Mas, pense que você está no controle desses "eus", escolha o eu que você deseja ser em cada pedacinho da sua vida.
    E sabe... Tem coisas, ressentimentos, que a gente carrega por muito tempo, assuntos mal resolvidos então é o ó... Uma droga que não te larga, mas uma coisa eu aprendi... O tempo ajuda a trabalhar a mágoa. O tempo e a escrita nos consolam e nos tornam fortes.
    Claro que a gente fica ansiosa... E como não ficar, né?
    Mas, para isso existem subterfúgios... Músicas, livros, páginas em branco esperando ser preenchidas com palavras que talvez de algum modo você considere vazias, mas nunca é... Também tem o céu... Porque o céu de uma forma ou de outra sempre está lá e você pode olhar para ele, olhar o céu é algo que sempre me acalma.
    Nossa existência como pessoas é mesmo bagunçada, mas a gente arruma (ou a menos tenta, fazer-se o que...).
    Uma vez participei de um tanabata matsuri e escrevi meu pedido no papel... Eu coloquei a palavra "equilíbrio".
    Porque somos feitos de muitos sentimentos e pensamentos que se contradizem... É bom chegarmos nm consenso, considerar o que nos faz bem.
    As pessoas são difíceis mesmo... Eu sou, você é... Mas, tem sempre seu lado bom, apesar de tudo.
    Eu não tenho certeza se sou de alguma ajuda... Mas, de todo modo, eu espero que você atravesse essa fase e outras que hão de vir com serenidade.
    Não se preocupe sobre o modo que as outras pessoas te veem, o modo como você se vê é o que acaba refletindo para todas as outras.

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    1. Olá, Mel... Como vai? :)
      Muito obrigada por este comentário, muito mesmo.
      O exercício deste texto foi mais ou menos para descarregar tudo que eu sentia mesmo. O "estoque" de mágoas, problemas antigos, e a minha ansiedade estavam me matando e eu precisava (MESMO) jogar tudo para fora... E consegui. Claro que, como você disse, o tempo e a escrita vão nos ajudando, não somente com as mágoas,mas com todos esses sentimentos. Mesmo que eu tenha excessos de vez em quando, eu estou tentando, seriamente, me equilibrar. Música, livros, as páginas em branco (ah... estas páginas...) estão aí e ando a buscar no momento, apesar das correrias nos estudos.

      Olhar o céu é meu exercício diário... Na universidade onde estudo temos um campo bem aberto, e o céu... É uma imagem incrível! E o melhor: posso vê-la todos os dias. Fascina demais! Aquela imensidão de tons azul anil ou preto me fazem viajar sempre que ergo minha cabeça em campo aberto... Conheço pessoas que dizem ser loucura contemplar o céu todos os dias.

      Somos um imenso complexo de sentimentos, emoções, passados... Enfim, uma imensa construção que se complexifica cada vez mais. Acredito que seja bom se desmontar, se conhecer, mesmo que seja impossível saber de tudo que há aqui dentro.

      Sobre o modo como me vejo... Eu, realmente, não tinha pensado nessa hipótese que você levantou. É uma reflexão que, com toda certeza, eu preciso considerar.


      Você foi de imensa ajuda, sim! Muito obrigada. Estou um pouco distante dos contos estes tempos, mas nos finais de semana prometo que apareço por lá!

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