terça-feira, 2 de agosto de 2016

Magnetismo


Estes teus sons tão articulados cruzam por meus poros
Todo fio deste corpo finito 
Perene
Se eleva ao cálice divino
Aquela voz que traz os piores delírios
Em um orgasmo de sensações traiçoeiras,
Que afogueiam este corpo,
Sobre a fogueira dos deuses, azul 
Como podes ser divino.?
Inclina-se sobre meu corpo com esta tua voz
Perturbando-me o sono
Os pensamentos 
Os passos trocados
O olhar perdido
Deixe este pobre corpo perecer surdo
Mesmo que estes cantos me faltem
Mesmo que o fio deste corpo se destrua
A clamar por teu canto




Em nenhum momento eu desviei os olhos, nem desatentei os ouvidos. Não era preciso e, mesmo se quisesse, não conseguiria. 
Era magnético. Extremamente desconcertante. 
Aquele ser estava parado, falando palavras que talvez eu nunca entenda realmente o que significam. Mas aqueles sons - aquelas invisíveis ondas sonoras - como cânticos dos seres divinos mais insanos, se integraram ao meu corpo e, eu sei, tive vontade de gritar ali mesmo. Meu corpo não se cansou. Permaneci estático: talvez seja bobo, mas queria estar de olhos fechados e esquecer as paredes brancas e ouvir apenas aquela voz. 
Aquela voz que quase não conheço.
Mas me tocou cheia de delicadezas, ensinando-me suas sutilezas. Ascendente e descendente em meu corpo que, frágil, quase se derramou em prazer.
Era o ápice. Jogado, eu desisti de entender seus significados. Suas articulações. 
Apenas aquele som era suficiente. 
E eu a ouvirei de novo. Derramarei meu corpo novamente. E nunca entenderei.



*É POSSÍVEL SE APAIXONAR POR UMA VOZ?*


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