quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Minha natureza me chama.




Estou imerso em palavras desenfreadas
Como águas que rebentam e inundam as margens verdes
Preso entre as rochas, esperando a mão divina
E eu rezo para que ela me puxe
E me esqueça entre as nuvens
Preso entre as rochas,
As minhas lágrimas se misturam à violência das águas
Misturam-se à imensa e divina natureza
A este lugar estas lágimas pertencem
A chuva rebenta sobre o meu corpo
Tenso, encharcado
Rogo a todas as minhas forças:
- Leve-me! Ou eu descansarei aqui.
A minha própria natureza me chama
As rochas não mais me prendem
Aquelas águas violentas só tentam me amansar
Esqueço da mão divina
Esqueço o encanto das nuvens
A minha própria natureza clama o meu nome...
A minha sina.
E então sou carregado pelas águas
Agora, já mansas.

-G.MOON

domingo, 23 de outubro de 2016

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A criança que chora





Ao final da rua
O som estridente da criança:
A criança que chora
Há todos os caminhos possíveis
Que possam ser trilhados
E as pedras coloridas iluminam o caminho
Mas, há uma criança,
Uma criança que chora.
Mesmo que eu passasse por aqui todos os dias
E esta invisível e
Ensurdecedora  criança ao fim da rua
Surgisse a mim
Eu me esconderia
E esqueceria-se de toda a sua estória
Ela me guarda
Guarda todos os segredos das casas
Ela segue rondando pelos cantos secos da cidade
Escondendo-se dos rostos
Ao mesmo tempo em que os carrega em seu manto
De cor desregrada
E ela chora
Pelo manto manchado
Os segredos guardados
E a sua contenda invisível

-G.MOON

domingo, 16 de outubro de 2016

Let It Happen... Let It Happen...


Sinto uma vontade imensa de chorar toda vez que essa música termina. É como se minha alma fosse apartada do meu corpo e partisse em uma viagem rumo aos céus e.... quando tudo termina... Ela cai e se despedaça no solo da realidade.
Minha conexão com essa música é intensa... Eu sempre me sinto engolida pela agonia do dia a dia, pela minha ansiedade pelo amanhã... E me esqueço de deixar "as coisas acontecerem...". E as distorções na música, a voz calma do Kevin... Anestesiam.
Let it happen.




-G.MOON

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Contos do amanhã: Sonhos



Os sonhos sempre me expõem. Aquelas imagens turvas, confusas, que parecem não ter sentido algum.... Elas sim, me expõe sem dó. As noites sempre são tão turbulentas, meu corpo se retrai como se sentisse medo e todos os sentimentos mais aflitivos surgem para me corromper... Alguns momento eu acordo, ainda sentindo meu corpo voltar à realidade. E as imagens vão surgindo... Surgindo... Ressurgindo, aqui dentro e me perturbam.

Novamente... Novamente...
Toda noite.  Só que... há sempre um PORÉM. Eu aprendi  lidar com meus próprios sonhos. Não, eles não me dizem sobre o amanhã. Até porque sonhos não predizem o futuro. Mas, podem me conduzir a agir sobre mim mesma.
Rostos conhecidos. Ambientes distorcidos. Tarefas não cumpridas. Aquela angustiante sensação de realidade. Despindo-me como nunca me despi. Abrindo meus olhos, enquanto estes estão fechados... Para aqueles sentimentos guardados aqui dentro... Aquelas saudades que me atentam aqui dentro. E todos os meus piores impulsos... E como eles são maravilhosos!
O dia seguinte, sempre me parece outro. É como eu disse certa vez... "Eu me descubro mais do ontem
E é sensação mais maravilhosa do amanhã.

G.MOON

Correria



Estou longe de todos os olhares possíveis
Eu corri para lá e para cá
Ninguém me olhou,
Ninguém me escutou,
Quiçá perceberam minha presença
Eu apenas vi todos passarem por mim
Rápidos, como fumaça que se espalha
Já anoitecia e minha vista falhava
De uma esquina a outra,
De um quarteirão a outro,
Senti-me em uma estranha sensação de abandono
Desinteresse? 
Desespero!
Assim que alguns olhos encontraram-se aos meus
Senti a indiferença... 
E não sei por que tanto a estranhei,
Já que ela tanto faz parte de mim,
Os assentos estavam vazios
E eu me vi ao meio,
Entrecortada entre o silêncio
E o estridente som das ruas
Chorando, enquanto observava o colorido das casas
Tão altas... Tão cheias de vidas:
Antes, antes de tudo
Eu gritei para que me vissem
Tão alto, tão alto, que implodiu
Voltou-se para dentro
Mas, agora, choro sozinha
Enquanto todos me olham
Mas não veem o que se desconstrói aqui dentro


G.MOON

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Contos do amanhã: o frio


Eu senti o silencio tórrido do meu quarto me invadir como um grito surdo dentro do meu peito. Eu não sabia como reagir àquelas imagens na minha cabeça. E minha ansiedade aumentava à medida que o tempo passava... Não, não podia estar acontecendo. Novamente, estou presa em minhas próprias insanidades. É incrível como estes esdrúxulos momentos te entregam sem muita consideração e, o pior, vem de dentro. Irradiando-se para fora e reagindo em todo seu corpo, extirpando suas forças.

Eu, realmente, tentei me levantar. Mas estava difícil. Muito difícil. Não, eu não me sentia pesada. Muito pelo contrario, estava tão livre que meu corpo se contorcia por si mesmo, levando-se como em mar aberto. Eu me enganei este tempo inteiro. Eu sempre irei me enganar.

Nós sempre vamos nos enganar.

Parecia tudo mais interessante. Eu, o amanhã, o hoje, este momento. Eu só queria que se tornasse interessante.
Mas, como? Há jeito. Eu sei que há. Mas não ha receita de bolo, então eu não sei como. Sou péssima em improvisos. E sempre odiei surpresas. Tem tanto mal em ser sempre organizado? Antecipado?
Eu conheci outras casinhas, sim. Quero conhecer mais. Sentir a frescura dos ventos.
Mas... Minhas pernas, meus braços e, principalmente, minha mente – travam-se.
ÀS vezes parece que não tenho controle sobre o meu próprio corpo. É como se tentasse falar, fazer, mover e todos os verbos que me levassem a reagir a todos os estímulos possíveis escapassem por entre os meus dedos. Então, sobra apenas o olhar. Nem tão calmo, nem penetrante. Apenas um olhar frio, castanho sem fulgor. Brilho morno sob a luz do sol e se apaga quando acaba o dia.
Parece apenas uma brincadeira de fantoches. Eu sou levada pra lá e para cá, como uma folha que brinca entre os ventos, sem saber para o onde ir. É difícil não saber o que se quer, não? Todos parecem tão decididos e eu aqui... Menina perdida, quase adulta, mas... A cabeça baixa e as mãos apertando o  jeans velho da calça, sem saber para onde olhar... Nem como reagir.
Um pé a frente. Outro atrás. Algo me diz: Coloque-se à frente! Deves saber onde ir! E esta voz vem de dentro... E meu corpo não reage... Jamais... Jamais...
E Sobra apenas o olhar, esperando... Sabe-se lá o que seja...

-Gmoon.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Casinha

fonte na imagem 



Já estive em tempos em que todas as janelas estiveram fechadas
Fizesse calor
Ou em longas temporadas de frio
Todas as janelas permaneciam trancadas
E as portas se abriam quando eu me sentia seguro
Os raios de sol não se chegavam aqui
Nem mesmo a mais elegante sensação do inverno 
Apenas a melancolia das paredes fechadas
O neutro - talvez - seco, autômato sentimento de isolamento
Eu estive aqui dentro, sem saber exatamente por os pés para fora
Então fui forçado a vestir-me apropriadamente
Carregando minhas couraças
E me dispor a mostrar-me lá fora
Fora do eixo, eu deixei-me ir - não sei se quero voltar
Não sabendo exatamente o que quero
Saí - mas deixei a casinha quase completamente fechada:
Algumas janelas estarão abertas - outras, sim,
é melhor deixá-las trancadas, as chaves?
Guardadas em meus bolsos.
Menino que anda trocando os passos
Ainda sorvendo o mundo
Conhecendo outras casinhas, algumas bem abertas
Feias, alegres, tristes... São tantas as paredes encontradas.
Outras muito bem fechadas. Muito bem guardados.
Eu os entendo, eu estive assim, durante meus tempos
As chaves em seus bolsos: Bem sabem o porquê guardá-las
E, poucas vezes, a quem entregá-las.

-G.MOON

estranho vermelho

há um toque de intenso vermelho que consome a minha pele o vermelho das tuas unhas a cor rubra que pinta os teus lábios...