quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Contos do amanhã: o frio


Eu senti o silencio tórrido do meu quarto me invadir como um grito surdo dentro do meu peito. Eu não sabia como reagir àquelas imagens na minha cabeça. E minha ansiedade aumentava à medida que o tempo passava... Não, não podia estar acontecendo. Novamente, estou presa em minhas próprias insanidades. É incrível como estes esdrúxulos momentos te entregam sem muita consideração e, o pior, vem de dentro. Irradiando-se para fora e reagindo em todo seu corpo, extirpando suas forças.

Eu, realmente, tentei me levantar. Mas estava difícil. Muito difícil. Não, eu não me sentia pesada. Muito pelo contrario, estava tão livre que meu corpo se contorcia por si mesmo, levando-se como em mar aberto. Eu me enganei este tempo inteiro. Eu sempre irei me enganar.

Nós sempre vamos nos enganar.

Parecia tudo mais interessante. Eu, o amanhã, o hoje, este momento. Eu só queria que se tornasse interessante.
Mas, como? Há jeito. Eu sei que há. Mas não ha receita de bolo, então eu não sei como. Sou péssima em improvisos. E sempre odiei surpresas. Tem tanto mal em ser sempre organizado? Antecipado?
Eu conheci outras casinhas, sim. Quero conhecer mais. Sentir a frescura dos ventos.
Mas... Minhas pernas, meus braços e, principalmente, minha mente – travam-se.
ÀS vezes parece que não tenho controle sobre o meu próprio corpo. É como se tentasse falar, fazer, mover e todos os verbos que me levassem a reagir a todos os estímulos possíveis escapassem por entre os meus dedos. Então, sobra apenas o olhar. Nem tão calmo, nem penetrante. Apenas um olhar frio, castanho sem fulgor. Brilho morno sob a luz do sol e se apaga quando acaba o dia.
Parece apenas uma brincadeira de fantoches. Eu sou levada pra lá e para cá, como uma folha que brinca entre os ventos, sem saber para o onde ir. É difícil não saber o que se quer, não? Todos parecem tão decididos e eu aqui... Menina perdida, quase adulta, mas... A cabeça baixa e as mãos apertando o  jeans velho da calça, sem saber para onde olhar... Nem como reagir.
Um pé a frente. Outro atrás. Algo me diz: Coloque-se à frente! Deves saber onde ir! E esta voz vem de dentro... E meu corpo não reage... Jamais... Jamais...
E Sobra apenas o olhar, esperando... Sabe-se lá o que seja...

-Gmoon.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

desculpe, querida

desculpe, querida se minhas palavras são incontidas se meu toque te abomina se o meu sorriso e o meu corpo não são o suficient...