sábado, 12 de novembro de 2016

Guerra aos primeiros laços



I
Esteve sempre ali, de mãos abanando
Os braços bem abertos
E um sorriso incerto, à procura de qual gesto?
Esteve sempre ali, o andar descompassado
As mãos ainda aos ventos
Jogando palavras sinceras
E recebendo a poeira que emerge do chão
As lágrimas que surgem...
São aquelas contidas?
Até que um dia,
Conheceu a raiva do tempo
Baixou os braços, uniu-se ao seu próprio peito
Não espere mais tal "gesto"
A raiva do tempo também é tua
Empunhe suas mãos, que o sangue não fala mais alto
Deles, terás também o punho! Compreendes, por fim?
Não conheces ninguém, estarás sozinho...
Então, una seus braços - encoste-os a si mesmo.
Pra sempre...
Sempre haverá a tal ambivalência - até a ti mesmo
Não espere uma relação de um laço somente.
Queres o punho - Queres os braços abertos?
Terás os dois.

II

Agora, não és tão adulto como pensavas
Conheces o machucado
Teus olhos estão abertos
Te pareces um mundo borrado?
E aqueles que estiveram sempre ao teu lado
Parecem amigos? Serão teus inimigos?
Para sempre? Quem sabe.
Nesta noite, compreendas:
Não estendas mais seus braços
A ninguém, pois nem a paixão é una
Seja teu - seja de ninguém
As contendas deles, serão apenas deles
Não os esquecerá... Nunca.
Mas cuide de si,
Ame a si mesmo e vigie a si mesmo e os outros.
Contra-ataque:
Empunhe suas mãos, pois o sangue não fala mais alto

-G.MOON

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