sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Rasgos



arrancastes pedaços de mim
a cada frase dita
em cada silaba que escapa de teus tão santos lábios
rasgastes a minha carne
e eu me deixei desmoronar aos teus pés
palavras sem sentido algum se soltaram de mim
e eu sei: eu permito
Eu, tola, permito que me machuque
que eu retorne novamente aos estados primitivos
de minha tenra e sem graça infância
eu esperneei
chorei
eu me escondi, como de brincadeira
mas ninguém quer realmente me encontrar
devo continuar aqui?
os pedaços sobre o chão
as palavras não ditas enroladas em minhas mãos
prontas para serem lançadas em ti
mas escondidas entre os meus dedos
ditadas em silêncio
permitindo-te novamente
permitindo-me, novamente,
a ser tola,
ingênua... 
insignificante para ti
Queres me perguntar?
venha aqui, eu nada te devo
mas, por favor,
te imploro
nada mais te peço: juro
minha sina não é mansa
então, deixe-a (deixe-me) em paz.

-G.MOON
-G.MOON

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Um pouco de alegria ♥








Como estou sem ideias esses dias... Passo apenas para não deixar meu querido cantinho sozinho e deixar um rastro de alegria para o final deste ano tão conturbado ♥

-G.MOON

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Incidir



Espero a tarde se estender
E quando o sol se esconde no horizonte
Eu vejo os raios vibrando sobre as nuvens
Formando combinações diversas
Tal como sinto tuas palavras aqui dentro
Incidindo sobre os meus dedos
Irradiando-se por toda a minha pele
Encosta em meu âmago
Mistura-se a tudo que já sobre(vive) em mim

Então o sol se esconde
E a lua surge imponente sobre os céus
Está a tua espera, brilhando em tua luz
Ela se mostra cada dia mais sincera
Mais em entrega
Chegam-se as estrelas distantes
As mais antigas
Aquelas que já estão mortas...
Descansam sobre as nuvens que restaram
Os sentimentos escusos
A procura dos raios vibrantes
Que incidem sobre a minha alma

-G.MOON

Toques e espinhos



Os nossos espinhos nos contaram
Que a aproximação pode ser dolorosa
Os espinhos me indicaram 
Os abraços
Os afagos
O toque mesmo suave
Machucam
Teus espinhos fizeram sangrar a minha carne
Mas não te preocupes
A tua chama escarlate também se alumiará
E o sangue também manchará 
A tua pele
Nossas mãos continuaram dadas
Os espinhos continuaram a nos machucar
Mas a chama não se abaixa
Não somos heróis
Nunca seremos santos
Há muito mal - e bem em ser humano
-G.MOON

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Indagações ao luar.



Ontem foi a primeira vez que ele observou o céu sem um brilho despontar de seus olhos. Pensava em suas dores, em quanto queria que aquele encanto dos céus o fizessem desaparecer de vez. Sumindo entre a poeria das estrelas, ao encontro de todas as respostas que o mundo não lhe pode dar. O que dizer?
Não se reconhece... Não te reconhecem nesta terra. A lágrima quente fez chocou-se ao chão frio... Se todos pudessem ver como se sentia... Mudaria algo?
As conversas que teve pela manhã, as vozes que clamavam por seu nome... Apenas conheciam o seu nome. O íntimo jamais se fez presente e ele agora olhava os céus sem brilho. A lua o conheceria? Talvez. Parecia que apenas 'ela o reconhecia. Deitou-se ao chão e ele continuava frio... Como seu peito.
Não entendeu nada, não entendia o que deveria fazer! Olhava a terra, sem brilho nos olhos. Deveria ficar? Deveria dizer? O que deveria realmente fazer? Não haviam outras almas por ali, não havia alma alguma ao seu lado... Alma em seu âmago? Quem sabe? Ela não parece tão estonteante. Sem vigor, sem propósito.
Ama os outros. É amado? Quem sabe? Estuda os gestos, as palavras, os olhares... Retém tudo ao seu redor! Faz bem? Quem sabe!
As perguntas o perturbam novamente... é como dizem: questões demais desorganizam. Toda vida será assim.
O chão continuava frio.
E seus olhos encaravam céu sem o vigor de antes.

-G.MOON

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Infinitos segredos





Somos eternos
Infinitos
Em nossos próprios segredos
Enquanto a noite se segue
Tu guardas por inteiro
Um fio de poeira do universo
Que se estende por todo conhecido
E te faz sentir-se mais que completo
São infinitos segredos
Que cerceiam o teu cosmos
Encontra-se a tua aura
Esconde-se nela
De costas para o teu horizonte
Só conheces a poeira sobre a tua palma
A poeira sobre a tua voz
E teus infindos segredos:
Apenas a morte os encontrarão.

- G.MOON

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Marcas





Eternamente, as marcas se afundam aqui
Os caminhos tortuosos
Em que tudo sinto
Em tudo me afogo
E nada me satisfaz
Sou eterna: dentro dos meus segredos
Cada vez mais engolida nestas marcas
Sorrindo para poucos interesses
Chorando para tantos outros
Aqueles poucos que me viram
Jamais perscrutaram estes caminhos
Não quiseram tocar
Não quiseram estender suas mãos
Não chegaram a caminhar - eu me encolhi?

São tantos os dias que se passam
Tantas as tardes, e o verão se anuncia
As marcas se estendem
Tornam-se cada vez mais cruas
Quase em carne viva
Como abate.
Eu percorro mil caminhos
Encontrando mil novos cortes
Cada vez mais expostos...
Tanto sangue quente aqui dentro.

-G.MOON

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Prosa do dia 02/12/2016 - uma saga dolorida




Essa minha saga não surgiu hoje. Mas, agora, tem doído tanto que eu, realmente tive que escrever. Escrever para estancar a dor.  Não curar, infelizmente.

A única grande amiga que tive, desde os seis anos de idade, me excluiu de sua vida em 2013. Coincidentemente, foi o ano em que criei o blog. Em posts como Flores, amizades, a falta que faz em outubro de 2013, eu relatei bastante o quando aquilo estava me machucando e eu sequer sabia o porquê na época. Depois de um ano, ela veio e me pedir desculpas, falando que estava chateada com muitas coisas em sua vida e acabou descontando em mim. Eu já havia desculpado, depois de alguns meses me martirizando. Tentamos recuperar a amizade, mas não voltamos ao que éramos antes... Infelizmente.


Sempre disse que sou tímida e, antigamente, eu era MUITO mais tímida do que sou hoje. Faz uns dois anos que eu tento lidar melhor com essa timidez, para me relacionar mais com as pessoas. Em 2014, tive um grupo de amigas bem interessantes e companheiras no meu último ano escolar. O grupo já existia, mas eu fui uma das que entraram na terceira série do ensino médio.  Foi a primeira vez em toda a minha jornada escolar que eu experimentei este tipo de situação e foi maravilhoso em muitos pontos. Fazer trabalhos juntos, conversar sobre vários assuntos, algumas discussões de vez em quando... Eu nunca tinha experimentado, é sério. Entretanto, este grupo se dissolveu no final do ano letivo. Faculdades, trabalhos, afazeres e afins... Tentávamos marcar encontros através dos grupos de Whatsapp, mas sempre – sempre algo impedia dos encontros se realizarem. No inicio do ano de 2015, até tentávamos conversar por estes meios virtuais mesmo, mas hoje ninguém mais fala nada. De vez em quando um oi, tudo bem ali, mas... Foi tão solúvel, algo que eu pensei que seria durável.


Uma destas pessoas que participavam deste ‘grupo de amigas de 2014’, hoje está comigo na universidade.
No mesmo curso e na mesma turma. Em 2014, caí de pateta em desafetos do grupo, que se resolveu um tempo depois...  Esta pessoa não falava muito comigo, assim permanecemos todo o ano de 2014. Hoje, eu acredito  (tenho quase certeza)  que ela preserva algum desafeto por mim, que quase nada tive a ver com toda historia... Que já vinha de antes. Na universidade nós conversamos muito! Tipo muito mesmo... Porém... De uns tempo para cá, eu percebo algumas coisas...Aparentemente, parece ser minha amiga. Pelo menos eu a considero. Mas não sei se isto é recíproco. Certos momentos parecem que ela não consegue demonstrar afeto por mim: você nota se alguém está desconfortável com você, se a abraça; tratar pessoas até mais distantes de forma muito mais amável, do que eu que sempre estou ali; não responder de forma agradável uma demonstração de saudades; Não se preocupar quando você adoece?  Entre outras coisas...  Eu sinto um distanciamento por parte dela... E isso me machuca, dado todo o meu histórico de amizades. Pode ser até a forma como ela demonstra a amizade mandar memes e falar coisas engraçadas... Mas eu não sei onde fica o afeto nisso tudo. Certas coisas que ela já disse e já faz me machucaram bastante e ainda machucam... Ontem eu pensei nisto o tempo inteiro. O tempo inteiro mesmo, porque sou ansiosa. Sempre me pergunto: Há algo errado em mim ou nos outros? Não sei!

Eu até pensei que tinha encontrado amizades legais na universidade, mas depois de um tempo, percebi algo que sempre me aconteceu, desde cedo: algumas pessoas só me procuram quando precisam de algo. Somente se aproximam se tenho algo a oferecer e depois se afastam. Também, se você não participa dos mesmos círculos que eles, não vão interagir muito com você, ou o necessário, ou o mínimo possível.


Eu errei muito em não tentar ser mais “aberta” antes, às vezes julgar sem saber muito,ficar calada nas rodas de conversa e parecer a “sem sal”. Hoje eu sei que o fato de eu ser introvertida é algo intrínseco a mim, mas... Não sei mais como lidar com esta questão de amizades. Tenho impressão que, às vezes, de que sou tão sem vida e, assim, passo uma imagem muito característica às pessoas e elas se afastam de mim. Não sei o que é uma relação de verdadeira intimidade com alguém.  Tenho tentado ceder espaço, mas... Não acontece.


Não sei se o que ando a depositar nas pessoas é o mais correto a se fazer, nem se isto está sendo recíproco, quem sabe.  Cada um interpreta as ações dos outros de uma determinada forma e responde da maneira que achar pertinente. Acho que isto vale para todos. Tantas vezes pensei que sempre estaria sozinha... E isto só depende de como devo agir? Eu tenho consciência de muito que sinto, que me cerca, faz feliz ou dói. O problema é que aquilo doloroso fala mais alto nestes dias solitários de fim de ano e ontem eu chorei tanto... Derramando lágrimas em um rompante e apenas quando eu peguei um papel e a caneta, consegui me acalmar. 


-G.MOON

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Momento difícil

Difícil perceber o momento em que não vê ninguém pra desabafar. Ninguém parece te compreender muito bem. Ninguém demanda teu tato ou te...