sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Prosa do dia 02/12/2016 - uma saga dolorida




Essa minha saga não surgiu hoje. Mas, agora, tem doído tanto que eu, realmente tive que escrever. Escrever para estancar a dor.  Não curar, infelizmente.

A única grande amiga que tive, desde os seis anos de idade, me excluiu de sua vida em 2013. Coincidentemente, foi o ano em que criei o blog. Em posts como Flores, amizades, a falta que faz em outubro de 2013, eu relatei bastante o quando aquilo estava me machucando e eu sequer sabia o porquê na época. Depois de um ano, ela veio e me pedir desculpas, falando que estava chateada com muitas coisas em sua vida e acabou descontando em mim. Eu já havia desculpado, depois de alguns meses me martirizando. Tentamos recuperar a amizade, mas não voltamos ao que éramos antes... Infelizmente.


Sempre disse que sou tímida e, antigamente, eu era MUITO mais tímida do que sou hoje. Faz uns dois anos que eu tento lidar melhor com essa timidez, para me relacionar mais com as pessoas. Em 2014, tive um grupo de amigas bem interessantes e companheiras no meu último ano escolar. O grupo já existia, mas eu fui uma das que entraram na terceira série do ensino médio.  Foi a primeira vez em toda a minha jornada escolar que eu experimentei este tipo de situação e foi maravilhoso em muitos pontos. Fazer trabalhos juntos, conversar sobre vários assuntos, algumas discussões de vez em quando... Eu nunca tinha experimentado, é sério. Entretanto, este grupo se dissolveu no final do ano letivo. Faculdades, trabalhos, afazeres e afins... Tentávamos marcar encontros através dos grupos de Whatsapp, mas sempre – sempre algo impedia dos encontros se realizarem. No inicio do ano de 2015, até tentávamos conversar por estes meios virtuais mesmo, mas hoje ninguém mais fala nada. De vez em quando um oi, tudo bem ali, mas... Foi tão solúvel, algo que eu pensei que seria durável.


Uma destas pessoas que participavam deste ‘grupo de amigas de 2014’, hoje está comigo na universidade.
No mesmo curso e na mesma turma. Em 2014, caí de pateta em desafetos do grupo, que se resolveu um tempo depois...  Esta pessoa não falava muito comigo, assim permanecemos todo o ano de 2014. Hoje, eu acredito  (tenho quase certeza)  que ela preserva algum desafeto por mim, que quase nada tive a ver com toda historia... Que já vinha de antes. Na universidade nós conversamos muito! Tipo muito mesmo... Porém... De uns tempo para cá, eu percebo algumas coisas...Aparentemente, parece ser minha amiga. Pelo menos eu a considero. Mas não sei se isto é recíproco. Certos momentos parecem que ela não consegue demonstrar afeto por mim: você nota se alguém está desconfortável com você, se a abraça; tratar pessoas até mais distantes de forma muito mais amável, do que eu que sempre estou ali; não responder de forma agradável uma demonstração de saudades; Não se preocupar quando você adoece?  Entre outras coisas...  Eu sinto um distanciamento por parte dela... E isso me machuca, dado todo o meu histórico de amizades. Pode ser até a forma como ela demonstra a amizade mandar memes e falar coisas engraçadas... Mas eu não sei onde fica o afeto nisso tudo. Certas coisas que ela já disse e já faz me machucaram bastante e ainda machucam... Ontem eu pensei nisto o tempo inteiro. O tempo inteiro mesmo, porque sou ansiosa. Sempre me pergunto: Há algo errado em mim ou nos outros? Não sei!

Eu até pensei que tinha encontrado amizades legais na universidade, mas depois de um tempo, percebi algo que sempre me aconteceu, desde cedo: algumas pessoas só me procuram quando precisam de algo. Somente se aproximam se tenho algo a oferecer e depois se afastam. Também, se você não participa dos mesmos círculos que eles, não vão interagir muito com você, ou o necessário, ou o mínimo possível.


Eu errei muito em não tentar ser mais “aberta” antes, às vezes julgar sem saber muito,ficar calada nas rodas de conversa e parecer a “sem sal”. Hoje eu sei que o fato de eu ser introvertida é algo intrínseco a mim, mas... Não sei mais como lidar com esta questão de amizades. Tenho impressão que, às vezes, de que sou tão sem vida e, assim, passo uma imagem muito característica às pessoas e elas se afastam de mim. Não sei o que é uma relação de verdadeira intimidade com alguém.  Tenho tentado ceder espaço, mas... Não acontece.


Não sei se o que ando a depositar nas pessoas é o mais correto a se fazer, nem se isto está sendo recíproco, quem sabe.  Cada um interpreta as ações dos outros de uma determinada forma e responde da maneira que achar pertinente. Acho que isto vale para todos. Tantas vezes pensei que sempre estaria sozinha... E isto só depende de como devo agir? Eu tenho consciência de muito que sinto, que me cerca, faz feliz ou dói. O problema é que aquilo doloroso fala mais alto nestes dias solitários de fim de ano e ontem eu chorei tanto... Derramando lágrimas em um rompante e apenas quando eu peguei um papel e a caneta, consegui me acalmar. 


-G.MOON

2 comentários:

  1. A maioria dos com quem nos cremos em comunhão acintosa e comumente nos acentua a solidão.
    GK

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    1. Resumiu tudo o que penso estes últimos dias... Obrigada, Gugu :)

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Nunca tive cara de nova, muito menos de mais velha, sempre um meio a meio... Ou uma normalidade insossa. Minhas palavras nunca ...